A paixão cega: resultado de pesquisa ilusiona no primeiro olhar

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Por Michael Charles*

“A paixão sem a razão é cega”. A afirmação do filósofo Baruch Spinoza presume que a ausência da racionalidade pode nos levar a perceber o outro, observar fatos ou acontecimentos sem olharmos “o todo”, mas uma “parte”, geralmente àquela que mais nos interessa. No ambiente político, publicações de pesquisas de opinião, por exemplo, impulsionam a exacerbação das paixões. Os mesmos números são comemorados  com o entusiasmo de um grupo ou partido, em detrimento do resultado do outro. E vice-versa.

A política no Brasil está em recente direcionamento positivo: o interesse da população pelo assunto, principalmente os jovens, antes avessos à vibe envolvendo o tema. Com a internet e as redes sociais virtuais, o engajamento político do cidadão brasileiro potencializou novos adeptos. Mas a política também desperta variadas paixões com elementos de idolatria e euforia. Na recente pesquisa publicada pelo Instituto Seta/BlogdoBG sobre o quadro eleitoral 2020 em Mossoró, a alegria foi geral nos grupos políticos: “estamos bem”,  enquanto “os outros estão estacionados ou em declínio”.

A paixão obscura costuma afastar a lucidez dos dados. Por exemplo, a referente pesquisa demonstra que uma pequena parte do eleitorado mossoroense, teria hoje um candidato escolhido para prefeito. Na pergunta espontânea, de cada 10 entrevistados, 7 disseram “não saberiam em quem votar”, “votariam em branco” ou “anulariam o voto”. Ou seja, faltando pouco mais de um ano e dois meses para a eleição, não existe “o candidato” para mais de 70 por cento do eleitorado. Resultado demonstrativo de várias hipóteses, inclusive o “candidato” ou “candidata” ainda não configurar na mente do eleitor. Quando o pesquisador consultou os nomes na pergunta estimulada, quase a metade dos entrevistados (46%), declararam “não saber” ou optar por algum dos nomes apresentados.

Ao contrário do olhar apaixonado que “se joga”, da razão sob  números de uma pesquisa de opinião é jogo para se jogar com paciência e amplitude: as necessidades da população, o ambiente, os nomes, identidade, empatia,  entre outros elementos, além das circunstâncias que impulsionam o comportamento do eleitor, até chegar a hora de mergulhar na emoção.

É especialista em Marketing pela Universidade Federal do Ceará e Mestrando em Ciências Humanas e Sociais (UERN).

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