A técnica e a política na reprovação das contas de Francisco José Junior

Palácio não entrou na parada para reprovar contas de ex-prefeito (Foto: arquivo)

As contas reprovadas do ex-prefeito Francisco José Junior relativas ao ano de 2016 se tornaram um marco na história da sempre subserviente Câmara Municipal de Mossoró. Mas o resultado da votação é muito mais fruto da articulação intensa da presidente da mesa diretora Izabel Montenegro (MDB) e da vereadora Sandra Rosado (PSDB) do que dos interesses palacianos.

O curioso nisso é que as duas são “intrigadas”, como se diz no popular.

Mas o espelho dessa minha avaliação é o comportamento da bancada governista que não votou em bloco com de costume. Some-se a isso a isso a informação dos bastidores de que o líder do rosalbismo Carlos Augusto Rosado deixou a bancada à vontade e essa foi à orientação dada por Alex Moacir (MDB), que está a frente da bancada governista.

O resultado refletiu essa orientação. Dos 14 vereadores governistas somente sete votaram contra Francisco José Junior. Juntaram-se a eles os oposicionistas Ozaniel Mesquita (PL) e Petras Vinícius (DEM).

Os quatro votos favoráveis ao ex-prefeito foram de governistas. Posicionaram-se assim Rondinelli Carlos (PMN), João Gentil (REDE), Zé Peixeiro (PTC) e Flávio Tácito (PCdoB). O primeiro é um dos mais entusiasmados defensores da gestão de Rosalba Ciarlini (PP) enquanto que Gentil costuma sempre votar com o governismo mesmo se colocando como independente.

O voto predominante na oposição foi o de abstenção. Assim votaram Alex do Frango (PMB), Genilson Alves (PMN), Gilberto Diógenes (PT), Maria das Malhas (PSD) e Raério Araújo (sem partido).

Já as ausências foram de três vereadores governistas Francisco Carlos (PP), Ricardo de Dodoca (Pros) e Tony Cabelos (PSD). Com exceção do primeiro, os outros dois foram aliados de Francisco José Junior durante toda gestão anterior e hoje são da base de apoio da prefeita Rosalba Ciarlini.

Reprovar as contas do antecessor não foi tratado como prioridade pelo governismo. Tornar inelegível (situação que neste caso depende de comprovação de dolo como informamos em outra matéria – ver AQUI) alguém que já está fora do páreo é um gasto de energia desnecessário. Essa decisão é meramente política, embora tecnicamente justificada. O resultado da votação não acrescenta em nada no consenso da sociedade mossoroense de que Francisco José Junior foi mau gestor.

Não se discute que o ex-prefeito merecia ter as contas reprovadas. Ele perdeu prazos, não entregou documentos e foi negligente.

O empenho pela reprovação das contas foi maior da parte de Izabel Montenegro. Foi ela quem insistiu em botar o assunto para frente e indicou Aline Couto (Avante) para a função de relatora.

Diga-se de passagem, o material produzido por Aline foi medíocre. O trabalho dela se resumiu a um parágrafo de justificativa sem sequer trazer os argumentos da defesa e o que foi exposto no parecer prévio do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

 

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