A união dos Rosado e a inversão de força dos elos

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São três décadas de divisão política dos Rosado. Foram sete eleições com confrontos diretos entre os dois ramos da família.

Após 36 anos, a família Rosado volta a disputar um pleito como um bloco monolítico. A última vez que isso aconteceu foi em 1982. Foi justamente o “voto camarão”, o fato mais marcante daquele pleito, que provocou a cisão política da oligarquia tempos depois.

O marco formal da divisão dos Rosado foi em 8 de outubro de 1985 quando Vingt Rosado deixou o PDS e migrou para o PMDB. Naquele momento Carlos Augusto Rosado ultimava os preparativos para fundar o PFL na região Oeste do Estado. Mas já havia um distanciamento gradativo pós-eleição de 1982.

Quando os Rosado se dividiram politicamente a maior fatia do grupo ficou sob o comando dos irmãos Vingt e Dix-huit Rosado. Carlos Augusto era tratado como um dissidente. Chamado pelos rosadistas de o “elo fraco” cooptado por Tarcísio Maia. De fato, Carlos foi praticamente só. Apenas três vereadores ficaram com o sobrinho rebelde.

A divisão rosadista não foi uma mera ação maquiavélica de “se dividir para somar” como relata o senso comum. Nesse caso confunde-se causa com efeito. Eles não se dividiram planejando isso, mas o resultado foi o de dificultar o surgimento de novas forças políticas.

Os Rosado se dividiram por disputas na sucessão na liderança do clã. Em meados dos anos 1970, Carlos Augusto foi nomeado secretário de serviços urbanos na primeira gestão de Dix-huit Rosado (1973/77). Do cargo municipal ele foi para a Assembleia Legislativa após ser eleito em 1978. Carlos até então era tratado como sucessor de Vingt e Dix-huit na liderança dos Rosado.

Mas aos poucos Laíre Rosado foi ascendendo dentro da família e na medida que Carlos Augusto se sentia ameaçado passou a se aproximar de Tarcísio Maia. A divisão dos Rosado interessava aos Maia que travavam com eles uma disputa interna no PDS desde os anos 1970.

Os Rosado tiveram o primeiro confronto em 1986 quando Laíre Rosado foi o deputado estadual mais votado em Mossoró e no Rio Grande do Norte. Laíre Rosado (PMDB) teve 24.702 votos e Carlos Augusto 19.051. Em Mossoró o peemedebista levou a melhor 14.213 x 10.670. Na majoritária os candidatos apoiados por Vingt levaram a melhor sobre os de Carlos. Geraldo Melo foi o governador mais votado com 32.497 votos contra 27.200 de João Faustino. O quadro foi o mesmo no Senado com os apoiados por Vingt Martins Filho (30.895 votos

Wanderley Mariz (30.270 votos) sendo mais votados que os de Carlos Augusto que foram José Agripino (30.150 votos) e Lavoisier Maia (25.665).

O resultado do pleito confirmou que de fato, Carlos Augusto era o elo fraco. Mas a eleição de 1988 mudaria tudo. Rosalba Ciarlini foi a candidata pelo PDT e venceu o favoritismo de Laíre Rosado. Com exceção de 1992, o rosalbismo venceria todos os pleitos seguintes.divisão dos rosados 3

Aos poucos a força dos elos se inverteu. O elo que era fraco se fortaleceu gradativamente chegando a eleger deputados estaduais, federais e levando Rosalba ao Senado e posteriormente ao Governo do Estado.

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Do auge há quatro anos, os Rosado vivem o momento mais difícil. Os dois mandatos na Câmara Federal se converteram em um só. Estão fora da Assembleia Legislativa onde chegaram a ocupar três vagas. Os mandatos que restam são o deputado federal Beto Rosado (PP) e dos vereadores Lairinho Rosado (PSB) e Vingt Neto (PSDB).

Dos três ramos familiares que seguiram na política apenas os “Dix-sept” ainda mostram força para uma disputa majoritária por meio de Rosalba. O ramo “Vingt” e “Dix-neuf” estão enfraquecidos. Juntos no passado os dois formaram o “elo forte”, hoje fragilizados compõem o “elo fraco” que precisou compor com o rosalbismo. No caso do ramo “Vingt” personificado em Sandra Rosado é uma questão de sobrevivência política.

Sempre se falou que os Rosado se uniriam um dia para combater uma nova força que os ameaçassem ou para ganhar o Governo do Estado. A segunda hipótese não se confirmou porque Rosalba chegou ao posto sem a união formal do clã.

O prefeito Francisco José Junior (PSD) poderia ser a força capaz de ter provocado essa união, mas ele está impopular e é visto pelos próprios Rosado como um adversário fácil de ser batido.

A união dos Rosado ocorre muito mais pelo fato deles terem se “auto-implodido” em 2012 e pela necessidade de voltar ao poder. O bloco monolítico pode ser algo ocasional dessa eleição para mais a frente disputarem entre si novamente. Mas também pode ser algo duradouro como algo no passado. É mais provável a segunda hipótese.

A inversão de força dos elos e a desproporção do poderio político resultou nessa união.

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2 opiniões sobre “A união dos Rosado e a inversão de força dos elos

  • 4 de agosto de 2016 em 15:39
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    Um belo conteúdo de exposição dos fatos políticos local. Esperamos nós Mossoroense e entorno que esta reunificação sirva de no mínimo fortaleza polí-
    ticas para os pleitos de Mossoró. É que esperava-se uma carreira próspera do Prefeito
    Francisco José Junior. Este pareçe que caiu do cavalo celado em que ele se montou. Então, só nos restam agora, que essa aglutinação de forças do Rosados, mesmo que
    política. Pleitei como sempre fizeram. Qualquer melhoria para a cidade!

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