Nova chance para o RN

Exploração do petróleo no RN será da iniciativa privada (Foto: Getúlio Moura)

Por Gutemberg Dias*

Começo esse artigo, lamentando a decisão da Petrobras de encerrar as suas atividades no Rio Grande do Norte. A empresa teve – e ainda tem – um papel importantíssimo para a economia do Estado. A indústria do petróleo representa 13% do PIB estadual e mais de 30% do PIB industrial, e a Petrobras é o principal ator nesse cenário. Não ter a Petrobras operando na Bacia Potiguar, digamos assim, é estranho no primeiro momento.

Mesmo lamentando essa decisão, entendo que isso não representa o fim da indústria do petróleo em nosso Estado, como muitos alardeiam, e sim um possível recomeço. Digo isso, com a certeza de vivenciar há quase duas décadas todos os processos associados a esse segmento, com seus altos e baixos.

Vale destacar que a decisão que foi ratificada no último dia 24 de agosto pela Petrobras, de fazer o desinvestimento de seus ativos no Rio Grande do Norte, já estava sendo gestada há muito tempo. Isso se deu a partir da descoberta do Pré-Sal, quando todos os olhares técnicos e econômicos da Petrobras se voltaram para essa operação.

Se observarmos os números que tratam dos investimentos e, também, produção de petróleo e gás, resta claro que, desde a mudança de estratégia da Petrobras, existe significativa redução de atividades, por parte da empresa, no onshore brasileiro, e não muito diferente na Bacia Potiguar.

É bom lembrar que o Rio Grande do Norte ainda é o maior produtor de petróleo terrestre do Brasil, mas vem com redução acentuada na produção desde 2015. Durante quase uma década, a produção do Estado oscilou nos patamares de 60 mil barris de petróleo por dia (BPD). Nesse período, tínhamos ano após ano um grande aporte de investimentos feitos pela Petrobras, destinados à manutenção dos ativos e a ampliação da produção. Na atualidade, o Estado está produzindo algo entorno de 35 mil BPD e essa redução casa cronologicamente com a diminuição dos investimentos da Petrobras ao longo dos últimos anos.

Destaco que, enquanto a Petrobras diminuía os investimentos na produção terrestre, ela fazia o inverso nas operações de águas profundas e no Pré-Sal, com consequente aumento de produção de óleo e gás nessas operações. Ou seja, a empresa fez uma opção de focar suas atividades na produção de grandes volumes, como as grandes operadoras mundiais já viam fazendo a vários anos.

Nossa bacia sedimentar, mesmo tendo diminuição natural de produção em função de sua maturidade, ainda tem muito a oferecer no que tange à exploração de óleo e gás. Basta ver o grande interesse de empresas em adquirir os ativos da Petrobras, que, do ponto de vista técnico, podem ter suas reservas otimizadas a partir de investimentos para ampliar o fator de recuperação.

Um grande receio da saída da Petrobras das operações no RN está assentado na questão da redução de empregos na cadeia e na geração de impostos, royalties e renda de um modo geral. Não nego de forma alguma que os operadores independentes chegam para operar com modelo bem mais enxuto que o da Petrobras, dessa forma, com redução dos empregos diretos. Mas, em contrapartida, vêm com perspectiva de investimentos para incremento de produção, que a médio prazo garante a retomada de parte dos empregos e ganhos econômicos para o mercado, a partir dos níveis de fornecimento.

Um estudo desenvolvido pela Federação das Indústrias da Bahia (FIEB) e comentado em artigo assinado pelo secretário executivo da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP), Anabal Santos Jr., mostra cenários distintos em relação à produção de barris de petróleo por dia e seu rebatimento na geração de empregos, royalties e investimentos (tabela abaixo). Os números são importantíssimos para debelar a ideia que chegamos ao fim da indústria do petróleo em nosso Estado. Pelo contrário, sugere o renascimento, obviamente, de forma mais comedida de como foi no passado.

Costumo afirmar em entrevistas que o Rio Grande do Norte e, principalmente, a região de Mossoró, está tendo uma nova chance com o petróleo para fortalecer sua economia. Sendo assim, é preciso saber olhar para o futuro, a partir do apagamento das fronteiras entre o privado e o estatal no âmbito da produção de petróleo terrestre no nosso estado. Temos que ter em mente que o principal objetivo é trazer o petróleo à superfície. Só a partir daí que teremos ganhos econômicos e sociais.

Acredito piamente que a partir desse novo cenário que surge para indústria de petróleo no Rio Grande do Norte, se houver uma conjunção de forças, é possível transformamos o Estado no maior fornecedor de serviços e bens e materiais para o onshore brasileiro. Temos uma logística incrível para atender todas as operações terrestres, mão de obra qualificada e empresas com grande expertise no segmento. Ou seja, as condições técnicas estão dadas, é preciso agora que se criem as condições políticas e de incentivo para atrair os fornecedores dessa cadeia para se instalarem no nosso território.

Digo que isso não é uma utopia. Enquanto presidente da Redepetro RN, recebo com frequência contato de empresas que têm interesse em conhecer o nosso mercado e que sinalizam a possibilidade de instalação de suas operações em solo potiguar. Nesse diapasão, vejo a necessidade de criarmos uma grande campanha de cunho institucional, envolvendo Governo do Estado, FIERN, SEBRAE, Redepetro RN, FCDL, entre outros, que mostre o diferencial competitivo e as oportunidades que essas empresas teriam em se instalar no Rio Grande do Norte.

Já somos o maior produtor de petróleo em terra, já temos Mossoró como a Capital do Onshore Brasileiro. Só nos falta agora a convicção de nos tornarmos o market place do segmento.

*É presidente da Redepetro RN.

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