O lado sombrio nas Rede Sociais

Por Thiago Medeiros*

Os seres humanos evoluíram para fofocar, enfeitar, manipular e ostracizar. Somos facilmente atraídos para este novo circo de gladiadores. Acredito que você poderá neste início duvidar da fala, mas esse sou eu e você, ao menos em algum momento do dia quando abrimos nossas redes sociais.

Os filósofos Justin Tosi e Brandon Warmke propuseram a útil expressão arrogância moral para descrever o que acontece quando as pessoas usam o discurso moral para aumentar seu prestígio em um fórum público. Como uma sucessão de oradores falando para um público cético, cada pessoa se esforça para superar os oradores anteriores, levando a alguns padrões comuns. Os ilustres tendem a “inventar acusações morais, se amontoar em casos de vergonha pública, anunciar que qualquer um que discorde deles é obviamente errado, ou exagerar demonstrações emocionais.” Nuance e verdade são baixas nesta competição para ganhar a aprovação do público.

Temos observado muitos analistas discutindo o que leva a um político fazer declarações públicas completamente desprovidas de moral, sem o mínimo de civilidade. Essas pessoas, não se importam com a sociedade em si, querem apenas ganhar visibilidade tendo seu nome alavancado por outros incendiários que atuam de maneira frenética compartilhando esses materiais.

Em outras palavras, a mídia social tem transformado muitos de nossos cidadãos mais politicamente engajados no pesadelo do grupinho: incendiários que competem para criar as postagens e imagens mais inflamadas, que podem distribuir em todo o país em um instante.

Os cidadãos estão agora mais conectados uns aos outros, em plataformas que foram projetadas para tornar a indignação contagiosa e se apoderar do dia a dia das pessoas, sem que elas percebam. Alguns “estrategistas do mal”, percebem este poder e tratam de criar cortinas de fumaça, para disfarçar os verdadeiros problemas que enfrentamos politicamente falando, a tal das narrativas.

Todos aqueles assuntos relativos a pautas morais e éticas tenderão a assumir o controle dos compartilhamentos nas redes sociais, enquanto uma escola que está sem verba para sua manutenção não tem tanta importância assim. É dessa forma que vamos nos tornando marionetes dos algoritmos, vamos navegando num mar turbulento sem nenhuma orientação.

Chris Wetherell que foi um dos engenheiros que criou o botão Retweet para o Twitter. Ele admitiu em entrevista que se arrepende da criação. Enquanto Wetherell observava os primeiros usuários do Twitter usarem sua nova ferramenta, ele pensou consigo mesmo: “Podemos ter acabado de entregar uma arma carregada a uma criança de 4 anos”.

A internet, é claro, não é a única responsável pelo tom de raiva política hoje. A mídia tem fomentado a divisão faz muito tempo, e os cientistas políticos traçaram uma parte da cultura de indignação de hoje para a ascensão da televisão e rádio. Uma multiplicidade de forças está empurrando o mundo para uma maior polarização. Mas a mídia social nos anos desde 2013 tornou-se um poderoso acelerador para quem quer iniciar um incêndio. E claro que no Brasil, 2013 é uma data marcando com o início de grandes protestos contra a esquerda, mobilizados pela grande mídia, gerando uma grande quantidade de materiais perfeitos, dotados de ódio para serem compartilhados. Talvez seja esse um dos motivos para a extrema direita ter um rótulo de mais ativa nas redes sociais brasileiras.

Será um exagero? Ou será que estamos deixando o lado sombrio do homem se apoderar dessa grandiosa ferramenta?

*É sociólogo.

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