Quando um drama familiar envolve um político petista

Já tive um grande amigo que foi ao fundo do poço por causa da dependência química. Já vi um próspero comerciante ir à bancarrota por causa do vício em drogas. Os dois deram a volta por cima e hoje tocam suas vidas. Em comum? Eles quiseram sair dessa situação.

O drama das drogas destrói famílias, é um tema doloroso que quando envolve familiares de pessoas públicas ganham outras proporções.

Certa vez fui informado que o filho de um figurão local deu piti no Mossoró Cidade Junina ao ser barrado na entrada de um camarote visivelmente alcoolizado. Apesar da alegação de ser parente de uma pessoa pública eu e vários colegas da mídia local abrimos mão dos cliques e curtidas e não noticiamos.

Quem é do meio político no Rio Grande do Norte sabe de pelos menos duas figuras importantes da vida pública potiguar que sofrem sérios problemas com álcool. É um assunto corretamente não explorado nem pelos adversários nem pela mídia.

Não é do meu estilo noticiar dramas pessoais dos políticos. Isso não me faz melhor nem pior do que quem o faz. É que prefiro falar sobre os mandatos e articulações visando eleições.

Agora temos o caso do deputado estadual Francisco do PT. Ele teve um irmão dependente químico preso na terça-feira. Diferente de tantas histórias abafadas o caso ganhou manchetes e ampla divulgação.

O diferencial de Francisco para os outros casos? É um petista. Até a solidariedade que ele recebeu do deputado Coronel Azevedo (PSC) veio acompanhada de uma provocação por causa da posição de parte da esquerda em favor da liberalização das drogas.

Não era momento para isso.

Não há qualquer indício de que Francisco teria agido para favorecer o irmão. Se isso ocorresse inevitavelmente seria noticiado nesta página.

O deputado relatou que como tantos outros que enfrentam o problema ele tentou ajudar o familiar que recusou o apoio e revelou que a mãe dele é um alcoólatra que há 15 anos não bebe.

É um drama familiar que merece muito mais empatia que julgamento, mas como se tratou de um político petista ganhou conotações de exploração política por alguns.

Finalizo este texto também alertando o pessoal da esquerda que ironiza o deputado federal Aécio Neves (PSDB/MG) como “cheirador” e o direitista que chama Lula de “cachaceiro”: a dependência química mora ao lado.

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