Marinho tenta se descolar de Bolsonaro (Foto: reprodução)

Rogério começa a esconder Bolsonaro da campanha

Por William Robson

O ex-ministro Rogério Marinho tem sido sensato em um ponto. Não dá para chegar no RN e colar Bolsonaro em todos os seus discursos. Sabe que o presidente é altamente rejeitado pelos potiguares, assim como o próprio ex-ministro, que não conseguiu se reeleger deputado federal e agora luta por uma vaga no Senado.

A rejeição de Bolsonaro no RN passa dos 60%, índice que empurra para baixo qualquer candidato que decidir sair às ruas com o seu apoio. O próprio presidente sabe disso. Ele não se cria no Nordeste. “O que acontece é o seguinte. Tem uma tendência, o estado mais à esquerda, em apoiar o Lula. Simplesmente não se fala mais o nome do governo, não se fala mais (sobre) as obras”, disse, referindo-se ao senador Fernando Bezerra, aliado que tenta esconder seu líder em Pernambuco, na tática de redução de danos.

Com Marinho, a situação se repete. Em suas redes sociais, ele destaca supostas ações no RN, utilizando as hashtags #rogeriotaon #trabalhopelorn, sem fazer qualquer referência ao ex-chefe. Não há menção alguma. E ele sabe o  por quê.

Marinho tem evitado citar Bolsonaro em suas redes sociais. Mas, sem maiores exageros, aproveita para realçar, eventualmente, qualquer atributo que possa encontrar no presidente , em programas de rádio pelo interior. O ex-ministro não esqueceu de citá-lo na Rádio Rural de Parelhas, “reafirmando os feitos do  presidente Jair Bolsonaro”. Com parcimônia, sem grande repercussão, e  para não desagradar o ex-chefe.

Mesmo assim, por mais que tente minimizar a relação de sua pré-candidatura com Bolsonaro, não há um só potiguar que não saiba de sua ligação com o presidente rejeitado por aqui (e nas pesquisas a nível nacional, também). Não esquece também de seu empenho ao enterrar os direitos dos trabalhadores com a reforma trabalhista, em tempos recentes. No auge desta discussão, foi defenestrado pelos potiguares. E, como se todos tivessem esquecido, retorna como se nada tivesse acontecido e neutralizando a quem, efetivamente, serve. E, no fundo, todos sabem que é o seu cabo eleitoral.

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