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Potiguar testemunha do 11 de setembro

Ataque ao Pentágono  (Foto: Stephen JAFFE / FILES)

Por Ney Lopes*

Em 11 de setembro de 2001, o advogado e jornalista NEY LOPES JR morava em Washington DC, onde cursava o mestrado de Direito Econômico e relações internacionais.

Por tal razão, foi testemunha ocular do ataque terrorista iniciado em NY e em seguida dirigido à capital americana, com bombardeio do Pentágono.

Recordando neste 11 de setembro de 2021, confesso que foi uma das mais duras experiências que já passei na vida.

No ano de 2001 estava em Washington DC, frequentando o Mestrado em Direito Econômico, na American University.

Como sempre, chegava às 7 da manhã na sala de aula. Era uma terça feira – dia em que tinha maior número de aulas e horas de estudo na Biblioteca da Universidade

Naquele dia, o professor de Economia Latino-americana pediu aos alunos, que acessassem o canal da CNN, no computador instalado em cada banco escolar, para análise de um fato relevante, em destaque.

Surpresa e pânico: todos constataram na tela da TV, a informação de que um avião da American Airlines acabara de atingir as torres gêmeas em NY.

Seguiram-se imagens “ao vivo” do choque das aeronaves, gigantescas explosões, pessoas se jogando dos andares, fumaça, destroços e labaredas de fogo, envolvendo o topo dos edifícios, cujas estruturas ruíam em questão de minutos.

Lia-se na legenda da notícia: “terrorismo declara guerra aos Estados Unidos”.

A primeira impressão era que se repetia o ataque de surpresa na base naval de “Pearl Harbor”, ocorrido na manhã do domingo 7 de dezembro de 1941.

Minutos depois, a CNN noticiava o pior momento para mim: outro avião sequestrado se dirigia à Washington DC e supostamente iria explodir a Casa Branca, o Pentágono e poluir com armas químicas o rio Potomac, fonte da água consumida na capital americana.

Foto: Sara K. Schwittek/Reuters

A “American University” estava a cerca de dois quilômetros do Pentágono, o centro militar da inteligência norte-americana.  Anunciou-se que o Presidente e o Vice já estavam em túneis de segurança máxima.

Professores e alunos saíram das salas de aula. Afirmava-se que começara a III Guerra Mundial.

De repente, ouvi grande explosão e densa fumaça negra cobrindo o céu. Um caminhão em disparada, cheio de explosivos, ultrapassou as barreiras de segurança do Pentágono e explodiu em seguida.

De onde estava deu para sentir o calor das chamas. Ao vir para a Universidade, sempre passava em frente ao Pentágono e admirava aquela fortaleza de pedra, onde se localizava o maior poder bélico do mundo, com armamentos moderníssimos, naquele instante envolto em chamas.

Ainda continuava a ameaça do avião sequestrado, que voava em direção a Washington DC.

A partir daí intensificaram-se gritos de pessoas chorando, outras rezando.

Com a Universidade evacuada fui ao pátio e peguei o carro, com a intenção de voltar ao meu apartamento. O trajeto era de 15 minutos, no máximo.

Naquele dia foram mais de cinco horas, de congestionamento e forte esquema policial. Nas ruas, o povo a pé, outros em automóveis, apelos dramáticos, orações de joelhos. Parecia aqueles filmes de ficção americanos. Não podia ter comunicação com meus pais. Os celulares desativados.

Confesso que senti medo.

Não sabia o que fazer

Na Universidade, presenciei cenas de constrangimento.  Colegas árabes e muçulmanos, que comigo faziam o mestrado, foram jogados contra a parede, revisados e isolados.

Já se sabia, que o ataque fora comandado por árabes. As ruas ficaram desertas por mais de uma semana.

As rodovias, o metrô, o metrô o porto de Baltimore, que abastece Washington DC, tudo interditado.

Soube-se depois, que os passageiros do avião sequestrado, impediram que os terroristas jogassem a aeronave contra a Casa Branca.

O avião caiu próximo a Washington DC e todos morreram, após terem relatado a amigos e familiares pelos celulares a luta que travavam, em busca da sobrevivência.

Só sabe o risco da guerra e do terror, quem passou pelo que passei. Graças a Deus sobrevivi. Mas, se o avião tivesse sido jogado contra o Pentágono, ou a Casa Branca haveria muita probabilidade de atingir a nossa Universidade e vasta área residencial de Washington.

A paz é o bem maior da humanidade.

Por isto, luto por ela em todas as situações.

Somente o amor e a solidariedade constroem!

*É jornalista, ex-deputado federal, professor de direito constitucional da UFRN e advogado.

Este texto não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema. Envie para o barreto269@hotmail.com e bruno.269@gmail.com.

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Lembranças do 11 de setembro. Onde você estava?

Foto: SPENCER PLATT/GETTY IMAGES/

Hoje é uma data marcante para as pessoas da minha geração: 20 anos dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Foi um dia que a História foi escrita ao vivo na TV.

Naquela data o planeta parou e lembro de nas conversas com meus amigos a gente dizer: “daqui a alguns anos vamos nos perguntar: onde estávamos nesse dia?”.

Pois bem. Eu estava em aula. Era um tempo que os celulares não tinham internet, o mais próximo que a gente tinha de um zap eram as mensagens de texto. Tinha um tijolão pré-pago que só usava para fazer ligações em caso de extrema necessidade.

Saí da aula sem me dar conta do que acorria até entrar num ônibus da linha Eucaliptos/Centro que tinha uma TV sem som em que vi imagens de mulçumanos radicais comemorando algo, mas dei de ombros e foi ler a página de esportes do jornal do dia que obviamente estava envelhecido para aqueles acontecimentos.

Somente quando cheguei em casa e meu irmão Gilsinho abriu a porta e disse em tom de alarme: “Bruno! Vai ter a terceira guerra mundial, atacaram os Estados Unidos!”.

Era um tempo em que TV por assinatura era coisa para poucos e o Youtube não existia. Era tudo na Globo mesmo. Vi as imagens dos aviões colidindo no World Trade Center, símbolo do capitalismo estadunidense, sem acreditar no que via e meu irmão, que estudava à tarde, contava: “assisti ao vivo o segundo avião bater no segundo prédio pensando que era replay”.

Naquele dia o que mais me impressionou foi a sede do Pentágono também ser atingida. É o coração do poder militar dos EUA, mas o que ficou na história foi a tragédia no WTC.

De lá para cá muita coisa aconteceu. Tivemos outros atentados, manobras militares desastrosas dos Estados Unidos e uma infinidade de crises. As novas tecnologias trouxeram mais velocidade na informação e o fantasma do terrorismo do fundamentalismo islâmico que nunca deixou de assombrar o Ocidente.

E você, lembra onde estava e o que fazia naquele 11 de setembro?