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Peça de humor sobre cemitério em Mossoró lembra Orson Welles e mostra como as pessoas são suscetíveis à fake news

Orson Welles fez os EUA acreditar numa invasão alienígena (Foto: reprodução)

No dia 30 de outubro de 1938, o ator e diretor de cinema estadunidense Orson Welles fez uma encenação de radioteatro de um capítulo do livro de ficção científica A Guerra dos Mundos, do escritor inglês Herbert George Wells.

O que seria uma peça na Rádio CBS terminou desencadeando uma onda de terror em várias cidades dos Estados Unidos porque pessoas creditaram que estava em curso uma invasão alienígena até que a história fosse devidamente esclarecida.

O caso entrou para a história do rádio e até hoje é estudado nos cursos de comunicação social. Lembro das aulas de sociologia da comunicação e teoria da comunicação de ver essa história ser analisada como algo pitoresco de uma população ainda despreparada para lidar com a informação de massa e incapaz de separar fato e ficção.

No último sábado, um vídeo da humorista Larissinha na porta do Cemitério São Sebastião em Mossoró. Ela (ver vídeo abaixo) conta estar dentro do local com um grupo de pessoas em pânico por causa da ‘profecia’ de uma transeunte de que o primeiro que saísse iria morrer.

A história bem ao estilo lenda urbana viralizou nas redes sociais. Muita gente me procurou para que eu checasse se o caso procedia. Os contatos não foram exclusivamente de gente “sem estudo”. Foi, digamos, de todos os estratos sociais.

O auê durou mais do que 24 horas até que a humorista esclarecesse se tratar de uma peça de humor e prometer que faria a continuidade da história.

Como nos EUA dos anos 1930, o Brasil dos anos 2020 ainda não sabe distinguir ficção e realidade; humor e fato; notícia verdadeira e fake news. Eu ainda sonho de ver em vida as pessoas sabendo diferenciar matéria e artigo de opinião. Mas isso ainda está bem distante.

Larissa não praticou fake news (Foto: reprodução)

Não se trata de falar do clichê viralatista de que nossa educação é atrasada. Os EUA e o Reino Unido, com educação de ponta, já tomaram decisões nas urnas pautados por informações falsas, o que mostra que as pessoas estão suscetíveis em cair em pegadinhas por incapacidade de distinguir o que é ou não realidade.

Aa questão é que a humanidade ainda não evoluiu o suficiente para lidar com os meios de comunicação de massa.

Como Orson Welles, Larissinha não praticou fake news. Foi uma performance artística que gerou tumulto.