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Programa Câmara Cascudo: Inscrições se encerram na próxima terça (31)

Governo investe R$ 13,2 milhões através de renúncia fiscal para projetos na área cultural (Foto: Sandro Menezes)

Produtores culturais, artistas e empreendedores do setor de economia criativa do Rio Grande do Norte têm a próxima terça-feira, 31 de agosto para inscrever projetos para a captação de patrocínio de empresas no Programa Estadual Cultural Câmara Cascudo. O Governo do Rio Grande do Norte destinou o valor de renúncia fiscal de ICMS para a cultura de R$ 13,2 milhões em 2021.

A entrega dos projetos deverá ser efetuada através do envio pelos Correios, até o dia 31 de agosto de 2021, postada para o endereço da Fundação José Augusto, Programa Cultural Câmara Cascudo, Rua Jundiaí, 641, Tirol, Natal, RN, CEP 59020-120, como também será realizado o envio, virtualmente, através do email, projetosleicc@gmail.com. Os projetos poderão também ser entregues presencialmente na sede da FJA até às 14h dia 31 de agosto.

Os formulários e seus anexos, para a inscrição dos respectivos projetos, estão disponíveis no site institucional da Fundação José Augusto www.cultura.rn.gov.br.

O programa Estadual Câmara Cascudo é um dos principais instrumentos de democratização do acesso à cultura no Rio Grande do Norte e consiste na renúncia fiscal do ICMS por parte do Estado para que o valor correspondente à contribuição seja investido em projetos culturais. A operacionalização do programa é realizada pela Fundação José Augusto (FJA) através da Comissão de Cultura. O artista, grupo de artistas ou instituição interessada na captação dos recursos inscreve seu projeto que será analisado, para confirmar adequação às normas da Lei, e decidida sua aprovação. Nos 21 anos de existência o Programa Câmara Cascudo disponibilizou R$ 86 milhões, beneficiando mais de 550 projetos.

Programa Estadual Câmara Cascudo

Inscrições até 31/08
Edital: www.cultura.rn.gov.br.
Email: projetosleicc@gmail.com
Entrega presencial: Fundação José Augusto , Rua Jundiaí, 641, Tirol, Natal, RN, CEP 59020-120 até o horário das 14h

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A ira contra Natália Bonavides e o nativismo de ocasião

Natália Bonavides é alvo da ira do nativismo de ocasião (Foto: Cleia Viana)

Já deixei bem clara minha posição crítica contra a emenda que a emenda da deputada federal Natália Bonavides (PT) para a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Por mais que entenda ser justa e apoie a causa da busca dos restos mortais dos desaparecidos políticos da ditadura militar, R$ 100 mil retirado de emendas do Rio Grande do Norte fazem muita falta para um Estado paupérrimo como o nosso por mais que seja para ajudar a encontrar um potiguar como Luiz Maranhão.

Nem muito menos quero relativizar as críticas à Natália Bonavides às quais me associo.

A intenção é provocar uma reflexão.

No início da semana que se encerra hoje a Fundação Palmares anunciou que vai se desfazer de um exemplar raro do livro “Dicionário do Folclore Brasileiro” de Câmara Cascudo, um escritor símbolo da cultura potiguar, considerado o maior folclorista do Brasil.

Os que gritaram contra Natália se calaram contra esse acinte contra nossa cultura. O nativismo não aflorou nessa ocasião.

Nem mesmo a referência grosseira do relatório da Fundação Palmares despertou a ira nas redes sociais:

“Quem consultar o clássico ‘Dicionário do Folclore Brasileiro’ terá em mãos um livro não só gramatical e ortograficamente desatualizado, mas com páginas soltas e exibindo um forte cheiro de mofo”.

O envio de uma emenda para outro Estado é uma falha grave por parte de uma parlamentar e merece ser objeto de crítica por mais que se tenha a justificativa de que seja para encontrar os restos mortais de um potiguar desaparecido.

Mas e o ataque a um dos nossos símbolos culturais? Ninguém se importou.

Diria que a escolha de Natália como alvo teve o fato político. Alguns dos que se irritaram com a emenda dela são os mesmos que se calaram quando o deputado federal General Girão (PSL) mandou emenda da saúde para São Paulo ou que fazem vista grossa para o fato do ministro Fábio Faria morar em São Paulo para onde ele próprio já mandou uma emenda de R$ 80.014,00 em 2015.

O nativismo é de ocasião. Talvez se Natália não fosse de esquerda a reação fosse mais dócil. O peso ideológico nesta questão é indisfarçável.