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Como será viver em um país livre do socialismo e do politicamente correto?

(Foto: iStock)

Por Matheus Pichonelli

Jair Bolsonaro assumiu a Presidência prometendo nos livrar do socialismo e do politicamente correto.

Com o Capitão, missão dada é missão cumprida, e já no minuto seguinte pudemos sentir o wind of change, as asas da liberdade, o novo dia de um novo tempo que começou*.

No supermercado, em vez de filas, controladas no chicote, a entrada estava limpa, aberta a todos, sem distinção ou coitadismo.

Dentro, ficamos, minha família e eu, espantados ao ver que estavam comercializando mais de uma marca de margarina. Era o fim do monopólio das Margarinas Petralhas, a única disponível no mercado em todos esses anos. O atendente, que agora vestia uniformes da rede privada, e não o vermelho obrigatório do governo destituído há dois anos e meio, avisou que logo, logo poderemos adquirir também creme dental. Basta ter dinheiro. Só pode ser um sonho. Nos últimos anos, ficamos tão acostumados com o socialismo e a ditadura do politicamente correto que já não sentíamos os efeitos da opressão. Em menos de 24 horas o Brasil era outro, a começar pelo resultado da Mega Sena, que desta vez distribuiu riqueza e beneficiou mais de trinta brasileiros reais, e não um único felizardo de quem nunca – já reparou? – ouvimos falar.

A liberdade veio como uma lufada de ar num dia quente pela TV. Pudemos assistir, assim, à libertação de todos os humoristas presos, condenados e torturados por infringirem as regras do politicamente correto. Agora terão até programas em horário nobre, a exemplo de pastores e padres cantores que tiraram a mordaça da boca e voltaram, um a um, do exílio midiático.

Com a liberação, o Brasil finalmente está livre da Piroquinha, a mamadeira com bico de pênis que há anos tomou o lugar do Louro José para ensinar posições do

kama sutra a adultos e crianças nos dois únicos canais autorizados pelos bolcheviques: A Rede Vermelha e a Globo Comuna.

 Nesse novo tempo, meu filho, ainda com receio dos velhos cascudos da patrulha, veio me perguntar se poderia me chamar de “pai”, e não mais de patriarca. Com lágrimas nos olhos, dei nele um abraço e prometi: “sim, meu filho. E vou poder também te chamar pelo nome que escolhi”.

No mesmo dia, já com os papeis de pai, mãe e filhos restabelecidos, fomos jantar em uma rede de fast food americana, liberada após anos de domínio das gororobas estatais.

Na entrada, famílias consumiam Big Macs e outras variedades da mesma gordura em paz, sem que nenhum grupelho adolescente com a carteirinha de proteção dos direitos humanos pichasse nossos rostos ou praticasse orgias em cima da nossa mesa. O mundo realmente mudou.

No caminho, percebemos que até as igrejas foram desacorrentadas. A entrada agora é livre e gratuita; os corredores poloneses que se aglomeravam à porta para constranger os fiéis com ovos, farinha e gritos de CAROLA, PORCOS, ABERRAÇÃO HETERONORMATIVA foram mandados para Cuba e para a Venezuela.

Entramos para agradecer e vimos que as imagens de Marx e O Capital foram substituídas por crucifixos e por exemplares da Bíblia, ao menos as que sobreviveram à Grande Queima promovida pelos comunistas em 2003. Escolas e tribunais devem agora seguir o exemplo.

Nossas crianças terão acesso também a outras cantigas de ninar que não a Internacional Socialista. A liberdade, podemos dizer agora, é um DVD da Galinha Pintadinha.

Se tudo der certo, poderemos em breve tomar empréstimos em bancos privados, receber propagandas, comparar vantagens, desvantagens e as taxas de serviço. As transações não são mais proibidas e as instituições não só não são mais monopólio do Estado como esperam divulgar o lucro, e recordes de lucro, ano a ano a partir de agora. Já imaginou?

De tudo o que mais emociona a nossa família é saber que quem viveu esse tempo todo na mamata terá de arregaçar as mangas e trabalhar. Quem passou os últimos 30 anos protegido pelo cargo sem fazer nada, gastando o tempo em polêmicas toscas nas redes sociais, vai ter de mostrar serviço no novo dia do novo tempo que começou. Talvez sujem as mãos de graxa ou de caneta.

O enxugamento do Estado, esperamos todos, deve enxugar também as bolsasmamatas como auxílio-moradia e a rede de assessores que no tempo dos bolcheviques movimentaram fortunas acima do rendimento e atribuíam o dinheiro à compra e venda de carros. A lei valerá para todos.

Livres da ditadura, começamos o ano com esperança de que agora poderemos ter acesso a sites e jornais (que não os oficiais), que o Google seja desbloqueado e que os estrangeiros que moraram esse tempo todo no nosso quarto de casal passem a respeitar a propriedade privada e voltem para suas barracas.

Se não for pedir muito, talvez o brasileiro, cansado de tanta restrição econômica, social e política, possa agora exercer o direito do voto e escolher, quem sabe um dia, os seus governadores, parlamentares, prefeitos e (já pensou?) o presidente.

O nome disso – agora podemos dizer sem risco de censura – é democracia.

É muita mudança para um dia só. Como na música do Alexandre Pires, que também deixou de ser proibida, nem sei o que fazer com essa tal liberdade.

*cuidado, esse texto contém ironia.

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Análise

Comando da educação estadual em Mossoró vira casa da sogra, literalmente

 

Sai sogra de político, entra sogra de político. Assim se deu a sucessão de comando da 12ª Diretoria Regional de Educação e Cultura (DIREC), responsável pela área de Mossoró e região.

O cargo vinha sendo comandado por Rina Márcia Ciarlini, sogra do ex-prefeito Francisco José Junior (PSD). Como ele não é mais aliado do governador ela perdeu o cargo. No lugar dela entra a sogra do ex-presidente da Câmara Municipal Jório Nogueira (PSD), Maria Consuelo de Almeida Costa.

De sogra em sogra o país de Mossoró vai se tornando a “cidade-estado” da piada pronta.

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Matéria

Memes satirizam e expõem desgaste provocado por semana trágica para Robinson e Rosalba

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O povo não perdoa. A promessa não cumprida do retorno dos voos comerciais ao Aeroporto Dix-setp Rosado e as denúncias da Lava Jato que enquadraram a prefeita Rosalba Ciarlini (PP) e o governador Robinson Faria (PSD) viraram piada em Mossoró.

O desgaste a dupla que disputou o reconhecimento pelo “retorno” dos voos em janeiro e se escondeu quando a promessa não foi cumprida foi ironizado pelos mossoroenses.

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Também não faltaram ironias com a inclusão de Robinson e Rosalba na lista do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin. Os dois são suspeitos de terem recebido cada um R$ 350 mil da Odebrecht em troca de apoio para obras de saneamento.

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Os apelidos “Carrossel”, “Bonitinho” e “Bonitão” (este atribuído ao deputado Fábio Faria, também conhecido como “Garanhão”) renderam várias brincadeiras na Internet.

Os debates estão acalorados nos grupos de WhatsApp.

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Crônica

Um final de semana na Mossoró prometida pelos políticos

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Como é bom viver numa cidade cujas promessas dos políticos são cumpridas. Tudo na cidade está às mil maravilhas.

Adoecer é uma raridade num lugar 100% saneado e com um sistema de saúde em que marcamos consultas por um aplicativo de celular. O negócio funciona com tanta eficiência que ninguém mais usa plano de saúde. As operadoras fecharam suas sucursais em Mossoró.

Como é bom viver numa cidade assim. Ontem acordei e busquei meu filho para um passeio. Fui de ônibus. Como funciona bem o nosso transporte público! A espera de décadas hoje é uma vaga lembrança. Peguei o transporte na duplicada avenida Francisco Motta usando uma linha que cruza a cidade por meio da ponte de Passagem de Pedra. Uma beleza!

Dei uma passadinha no Centro. Um espetáculo de acessibilidade após a construção do camelódromo. Com o transporte público eficiente e a construção de novas vagas de estacionamento acabou aquela situação caótica de antes.

Já a noite fui de carro com meu filho ao Nogueirão assistir Potiguar x ABC. O jogo foi transmitido para todo país pelo Esporte Interativo. Deu orgulho de ver ao estádio moderno muito elogiado durante toda a transmissão do jogo segundo meus amigos que preferiram ficar em casa.

De lá deixei meu bambino em casa e na volta pela ponte de Passagem de Pedra o pneu furou. Em outros tempos seria motivo de pânico diante da iminente possibilidade de ser assaltado. Mas a Ronda Cidadã é um show de eficiência e a criminalidade se reduziu a zero. Mesmo assim a viatura que passava na hora deu um suporte enquanto eu trocava o pneu em segurança.

No domingo, minha esposa foi logo cedo ao Santuário de Santa Luzia. Assistiu uma missa celebrada pelo bispo. Quando ela retornou fomos a Areia Branca visitar um familiar. De lá fomos para Tibau através da ponte Grossos/Areia Branca.

No próximo final de semana iremos a Recife no voo da Azul que sai diariamente de Mossoró para a capital pernambucana.

Boa demais essa Mossoró dos políticos que se unem de forma altruísta em defesa da cidade.