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A disputa em Mossoró está acéfala

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Faltam ideias. Isso é claro e evidente. O problema passa entre a contradição do discurso do eleitor, que diz querer ouvir propostas, e a prática, a empolgação com o oba oba.

O caro (e)leitor que já definiu seu voto sabe dizer qual proposta do candidato lhe fez tomar essa decisão? A reposta certamente seria não. O voto está indo para paixão.

Sendo bem franco, somente Gutemberg Dias (PC do B) tem buscado fazer uma campanha de fato propositiva. Mesmo assim qual foi a ação mais notória do comunista até aqui na eleição? A briga para ver quem descia o Alto de São Manoel. Se era ele ou a ex-governadora Rosalba Ciarlini (PP).

Em termos de ideias, a própria Rosalba dá o tom da campanha. O debate em torno dela gira em torno dos processos judiciais e da péssima passagem dela pelo Governo do Estado por parte dos adversários. Ninguém aproveitou o momento da campanha para desconstruí-la no principal cabo eleitoral dela: as três passagens pela Prefeitura de Mossoró. Ninguém está debatendo as oportunidades perdidas em um tempo de bonança em que Mossoró poderia ter trabalhado para atrair indústrias e fomentar novas cadeias produtivas para proteger a economia da cidade no momento atual de desmantelo da Petrobras na região que foi previsto por dez entre dez economistas.

Da parte de Rosalba. O que ela traz de novo? Na minha opinião nada. É o oba oba de sempre com os argumentos da militância dizendo “é a Rosa!”, “Rosa neles!”… ideias, zero. A ex-governadora vem com um projeto chamado “Rio Branco 2.0”. Mas até aqui não foi clara na proposta. Também aposta na marcação de consultas por aplicativo de celular. Isso já foi prometido em outras oportunidades. Em outra frente ela aposta em outro aplicativo para que os passageiros saibam a hora em que os ônibus vão passar. Justo ela que quando passou pela prefeitura teve três oportunidades para resolver o problema do transporte.

E o prefeito Francisco José Junior (PSD)? Rema contra a maré da impopularidade tentando mostrar algo de positivo de sua gestão para um eleitorado que faz ouvido de mercador. O chefe do executivo municipal, completamente “micarlizado”, não consegue convencer ninguém. Já iniciou a campanha tentando mostrar que não vai desistir do pleito com o slogan “Sempre Resistir, Recuar Jamais”. Também não trouxe nada de inovador a não ser a renovação de velhas promessas.

E Tião Couto (PSDB)? É a principal novidade da campanha. Mas tem pecado ao não ser mais incisivo nas propostas. Até mesmo na passionalidade ele poderia ir mais além expondo sua história de vida fantástica. O tucano centra fogo na desconstrução da imagem de Rosalba, mas ao aparecer mais por isso deixa de lado o eleitor que cobra propostas.

Oriundo do meio empresarial, Tião poderia ter como marca o discurso da geração de emprego. Esse deveria ser o posicionamento dele na campanha em um momento de crise na cidade que sofre com uma massa enorme de desempregados. Mesmo assim ele cresce na campanha.

Josué Moreira (PSDC) é um caso à parte. Ele tem boas ideias, mas como mostra-las em 19 segundos? Como fazer uma campanha em igualdade de condições com os adversários sem estrutura. Resta a ele as entrevistas e os debates que estão por vir.

Mossoró nunca teve uma eleição com tantos candidatos preparados. Todos têm capacidade fomentar boas propostas. Mas nossa política teima em ser superficial.

O preparo dos candidatos não é suficiente para romper a sina da paixão nos pleitos de Mossoró. A campanha está acéfala!