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Gasolina em Mossoró a R$ 6,30. A culpa é de quem?

Conversamos com especialistas para saber de quem é a culpa por um combustível tão caro (Foto: Internet)

A mais recente alta no preço dos combustíveis trouxe à tona, nos últimos dias, um debate que já vem se tornando rotineiro durante o Governo de Jair Bolsonaro: de quem é a responsabilidade pelo preço da gasolina no Brasil?

Em Mossoró a maioria dos postos já ultrapassou a barreira dos R$ 6,30 e o Blog do Barreto conversou com especialistas para entender definitivamente o que fez a gasolina chegar a um preço tão alto e quem determina esses valores.

O Coordenador Geral do Sindicato dos Petroleiros do RN (Sindipetro/RN) Pedro Lúcio Góis, afirma que as constantes altas no preço dos combustíveis no Brasil têm total relação com a política de preços adotada pela Petrobras desde a gestão do ex-presidente Michel Temer que foi aprofundada durante o Governo Bolsonaro.

“O preço da gasolina, do diesel e do gás de cozinha estão tão altos no Brasil porque a Petrobrás adotou uma política de preços que segue o dólar e o preço internacional do barril de petróleo, apesar de produzirmos e refinarmos tudo nacionalmente. É desconsiderado que a Petrobrás é uma empresa nacional, que deve estar a serviço da melhoria de vida do povo brasileiro. Se pararmos pra pensar, não há nada que justifique as altas de preço do petróleo de janeiro para cá. Não tivemos nenhum grande incidente, nenhum desastre que afetasse a produção, nenhuma grande manutenção na Petrobrás”, afirmou Pedro.

O sindicalista destaca que a crise no setor petrolífero brasileiro é fruto da junção entre a política de preços que passou a priorizar o capital exterior e as ações um tanto quanto caóticas do Governo Federal, que prejudicam a economia e elevam o preço do dólar no país às alturas. Para ele, essa equação faz com que os brasileiros paguem a conta na hora de abastecer.

“Essa política econômica vem desde 2016 e percebam que de lá pra cá só temos visto a gasolina aumentando, praticamente todos os meses. A pandemia, somada ao desastre econômico que é o Governo Bolsonaro, tornou essa conta ainda mais cara. O Governo não tem habilidade econômica para segurar a elevação do dólar, o mercado internacional está se reaquecendo com a vacinação e a volta das atividades corriqueiras e tudo isso puxa para cima o preço do petróleo”, afirmou Pedro Lúcio

Mas os impostos? O ICMS? O que eles têm a ver com essa conta?

Sempre que os preços da gasolina aumentam surgem comentários, em especial por parte de apoiadores do Governo Federal, de que os reajustes teriam uma relação com a carga tributária estadual e que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) era o grande vilão e principal responsável pela gasolina cada vez mais alta.

O Blog do Barreto conversou com exclusividade com o servidor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Cloviomar Cararine que explicou com detalhes como funciona o mecanismo de preços da Petrobras e afirmou enfaticamente que os impostos estaduais não são determinantes para alta no preço dos combustíveis brasileiros

“Os impostos acabam levando a culpa sem ter de fato responsabilidade. A Petrobrás hoje prioriza o aumento do lucro da empresa e o pagamento de dividendos a acionistas, portanto ela pratica o preço que garanta o máximo de lucro possível, sem se importar que isso gere um valor final altíssimo para o consumidor. Os impostos representam uma pequena parte deste valor final e é uma desculpa falar que eles são os vilões no preço da gasolina. Inclusive, em alguns casos, como no gás de cozinha, a carga tributária caiu no decorrer dos anos, mas os preços seguem em franca disparada” comentou o servidor.

Cloviomar afirma que o Dieese construiu uma nota técnica que detalha o preço dos combustíveis no Brasil e comprova que impostos estaduais, como o ICMS, são pouco relevantes no custo altíssimo da gasolina no país. Confira a nota técnica CLICANDO AQUI

“Os preços estão aumentando bem acima da inflação. A primeira coisa que determina isso é a definição dos preços nas refinarias que impacta diretamente o consumidor final. Isso tem relação com a política de preços da empresa, que se baseia no preço internacional do combustível. Quase nenhum país do mundo faz o que o Brasil está fazendo. Nós temos uma produção gigantesca de petróleo, temos a capacidade de refiná-lo e poderíamos considerar somente o custo da produção para definir um preço final, mas por determinação do Governo Federal e da direção da Petrobrás, decidimos considerar o preço no exterior para basear o nosso” concluiu Cloviomar.

Pedro Lúcio Góis, do Sindpetro, também apontou algo interessante acerca da carga tributária estadual e sua correlação com o preço final da gasolina.

“Se o problema fosse o ICMS a crise seria regionalizada, já que cada estado tem um ICMS próprio e certa autonomia. Assim a crise seria apenas no estado em que teve o aumento do imposto, mas não, ela acontece no país inteiro. Inclusive alíquota de ICMS em todo Nordeste é a mesma desde 2015. Reduzir o ICMS poderia até funcionar como medida paliativa, mas a Petrobras continuaria aumentando os preços indefinidamente, seguindo dólar e o preço internacional do barril, portanto não adiantaria nada”, afirmou Pedro. 

Donos de postos também reclamam da constante alta de preços na gasolina

Os donos de postos também parecem ter sentido o impacto da constante alta de preços dos combustíveis no Brasil. Através de nota enviada Blog do Barreto, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do RN (Sindipostos RN), que reúne os empresários do setor, comunicou seu descontentamento com a política de preços adotada e se desresponsabilizou pelos constantes reajustes praticados.

“Os postos não podem ser responsabilizados, em nenhum nível, por qualquer variação extraordinária de preços (…) nos resta lamentar estes aumentos, ao tempo em que reforçamos que ter preços mais baixos dos combustíveis nas bombas é algo que interessa diretamente a todos os postos, uma vez que eles, varejistas que são, dependem da venda em volumes razoáveis dos seus produtos para manter a sustentabilidade financeira de seus negócios, gerando ocupação e renda para dezenas de milhares de trabalhadores” afirmou o sindicato patronal.

Gasolina a R$ 10,00? Yes, we can!

O dirigente do Sindipetro/RN, Pedro Lúcio Góis, que é um grande crítico da política de preços adotada pela Petrobrás, tem realizado constantes alertas em suas redes sociais sobre os riscos da elevação constante no preço dos combustíveis.

Em entrevista ao Programa Extraclasse Rádio, do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Rio Grande do Norte (Sinte/RN), em fevereiro deste ano, Pedro afirmou que poderíamos chegar a agosto com a gasolina custando R$ 6,50. A essa altura é possível presumir que o sindicalista acertou na previsão. Agora, ele vai além: diz que se o Brasil não frear imediatamente a política praticada pela gestão da Petrobras poderemos chegar ao final do ano com a gasolina batendo a casa dos R$ 10,00.

“Com fim da pandemia vacinação em massa e uma crise econômica sem precedentes dentro do Brasil os preços internacionais podem fazer a gasolina aqui bater a casa dos R$10,00. A solução é alterar a política de preços da Petrobrás e utilizá-la pensando no povo brasileiro; colocando suas refinarias pra funcionar; cancelando as privatizações e adotando um critério nacional e não internacional de preços, afinal, como já disse, a Estatal produz, refina e vende nacionalmente”, conclui Pedro Lúcio.

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Artigo

Petróleo cai 50%. Mas na bomba?

Preço médio da gasolina na bomba cai pela 7ª semana seguida, diz ANP

Por Elviro Rebouças*

Com a indústria do petróleo enfrentando a maior crise em 100 anos, a Europa e a América do Norte se entrincheirado, as estimativas mais recentes sugerem que 10% a 15% do consumo mundial poderá evaporar nos próximos meses. Não é exagero afirmar que a estamos diante de um dantesco quadro surreal para a era moderna. Com as economias ocidentais entrando em estado de hibernação, na esperança de sufocar a primeira onda do coronavírus por meio de quarentenas e isolamento, o setor se depara com o fato de que a demanda por combustíveis vai cair mais rápido do que nunca.

Os preços já caíram cerca de 50% desde o começo do mês, com as atividades das companhias aéreas interrompidas e milhões de trabalhadores trocando o automóvel por uma caminhada curta até o laptop na mesa da cozinha. Para um setor há muito ciente de que uma oscilação de 1% a 2% no equilíbrio do fornecimento e da demanda pode representar a diferença entre a disparada e o colapso dos preços, a extensão da queda no consumo é difícil de processar.

As estatísticas da OPEP mostram que o mundo produzia, até fevereiro, uma média de 105 milhões de barris/dia, com o Brasil ascendendo a 3,4 milhões, sendo agora autossuficiente, marco importante para uma nação que há 60 anos não produzia um só litro do combustível. A recente guerra lançada entre a Arábia Saudita e a Rússia, afora os Estados Unidos, os maiores produtores do mundo, fez com que o preço do barril descesse dos US$.65 para US$.25,o menor valor deste o ano de 2003, com uma verdadeira convulsão econômica.

Causa espécie no nosso País, que no acumulado do ano os  preços da gasolina nas refinarias já tiveram uma redução  acumulada de 40%. Atualmente, está no menor patamar dos últimos nove anos. Mas, nas bombas, o produto, em média, teve uma tímida redução de 3,03% de janeiro até agora. Fonte: ANP – Agência Nacional de Petróleo. É a chamada inversão de valores, na subida do preço o consumidor paga tudo, ou até mais, na baixa só tem direito a reclamar. É um conjunto de  fatores que fazem com que os preços nas bombas não tenham uma  redução maior. Principalmente a questão do ICMS e a mistura do etanol.  Além  disso, tem a questão dos estoques, como também a retenção  de lucro excedente.  O empresário vê o volume de vendas mais fraco. Então, no pouco que ele vende, não tem como abrir mão do quanto ganha. É como se fosse uma espécie de subsistência. Nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa o galão do produto – equivalente a 3,79 litros – teve uma queda média, este mês, de 23,70 % – Fonte: Bloomberg, numa disparidade ininteligente.

O crash acontece no pior momento possível para um setor que já não tinha a preferência dos investidores, que temem que a demanda por petróleo possa atingir o pico na próxima década e também se preocupam com os impactos ambientais. Os poucos investidores resistentes que estão se atendo às grandes empresas de energia foram chamuscados mais uma vez. O preço da ação da British Petroleum (BP) acumula uma perda de mais de 50% no ano, recuando a um patamar visto pela última vez em 1995, afundando mais até do que quando por ocasião do desastre de Macondo, quando a própria sobrevivência da companhia esteve em dúvida. A ExxonMobil, outrora a maior companhia aberta do mundo, perdeu 70% de seu valor de mercado nos últimos seis anos. A nossa Petrobrás, só neste ano, teve o seu patrimônio na BOVESPA depreciado em 50,33%. Mas uma pergunta fica sem resposta, por que o preço do combustível não cai na bomba?

*É economista e empresário.

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Análise

O preço da “gasosa” e as contradições nossas de cada dia

Resultado de imagem para preço da gasolina

O preço da gasolina sobre e o efeito na bomba é imediato. A cobrança sofre redução e aí é preciso esperar a renovação do estoque.

O presidente Jair Bolsonaro culpa os governadores para tirar o braço da seringa.

Mas e os empresários, como ficam?

São as contradições nossas de cada dia.

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Beto Rosado ao endossar Bolsonaro mostra a política como ela é

Beto Rosado defende proposta que prejudica gestão da tia (Foto: Ricardo Lopes)

Há poucos meses a tia do deputado federal Beto Rosado (PP), a prefeita de Mossoró Rosalba Ciarlini (PP), criticava a governadora Fátima Bezerra (PT) por prejudicar a arrecadação dos municípios com o Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial (PROEDI).

Para isso usou-se todas as armas possíveis até mesmo admitir que estava atrasando salários, um tabu durante todo mandato de Rosalba.

Pois bem! Agora Beto Rosado endossa a bravata do presidente Jair Bolsonaro de zerar os impostos sobre combustíveis caso os governadores também zerem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em cima do produto.

Beto dispara provocação contra governadora

Qualquer pessoa medianamente bem informada sabe que nenhum governador fará isso por se tratar da principal fonte de arrecadação dos Estados. Mesmo assim, Beto correu para as redes sociais para fazer tag desafiando Fátima Bezerra. Tudo, claro, para fazer média com Bolsonaro. Horas após de soltar a tag no Instagram ele esteve acompanhando o vereador Cícero Martins (PSL) na entrega do título de cidadão natalense ao deputado Eduardo Bolsonaro (PSL/SP).

Nada é por acaso.

Beto esteve com o filho do presidente ontem

A bravata de Beto também afaga uma classe média sedenta por gasolina mais barata e em parte antipetista. Outros políticos também fazem lá suas bravatas à esquerda e à direita.

Mas o que chama a atenção de Beto é que a proposta dele respinga na gestão da tia. Segundo levantamento feito pelo jornalista Magnos Alves (Portal do Oeste) a Prefeitura de Mossoró perderia R$ 26 milhões/ano de ICMS pagos na aquisição de combustíveis. Isso é quase quatro vezes mais que os cerca de R$ 7 milhões de perdas anuais causadas pelo PROEDI ao erário municipal.

A Agência Saiba Mais mostrou que o Governo do Estado perderia R$ 855 milhões. Já os municípios perderiam R$ 285 milhões.

A postura de Beto mostra bem a política como ela é.