O pastor Geraldo dos Santos Filho, conhecido como Pastor Júnior, recebeu uma nova condenação por lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Plata. Com a decisão, as penas acumuladas contra ele chegam a 98 anos, 1 mês e 25 dias de reclusão.
A nova sentença foi obtida pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e proferida pela Unidade Judiciária de Delitos de Organizações Criminosas (UJUDOCrim). A decisão alcançou seis réus acusados de participar de um esquema de ocultação e dissimulação de recursos provenientes do tráfico de drogas.
Segundo as investigações, o grupo utilizava imóveis, fazendas, veículos, estabelecimentos comerciais e igrejas evangélicas para esconder a origem ilícita dos recursos. Geraldo e sua mulher teriam aberto pelo menos sete igrejas no Rio Grande do Norte e em São Paulo, algumas delas alvo de mandados de busca e apreensão durante a Operação Plata.
Nesta nova ação penal, Geraldo dos Santos Filho foi condenado por nove atos de lavagem de dinheiro. A pena foi fixada em 6 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão, em regime fechado.
Antes dessa decisão, as condenações contra Pastor Júnior já somavam 91 anos, 4 meses e 5 dias. O MPRN apontou que ele atuava como intermediário financeiro e de comunicação para o irmão, Valdeci Alves dos Santos, coordenando movimentações de dinheiro, depósitos fracionados e aquisições de imóveis em nome de terceiros.
Familiares eram usados como intermediários
De acordo com o Ministério Público, Geraldo e Valdeci coordenavam a destinação dos bens adquiridos com dinheiro ilícito e utilizavam familiares e pessoas próximas como intermediários, os chamados “laranjas”, para comprar, registrar e transferir imóveis.
O objetivo era ocultar a verdadeira propriedade dos bens e dificultar a identificação da origem dos recursos provenientes do tráfico de drogas.
Valdeci Alves também foi condenado por sete atos de lavagem de capitais. A nova pena foi estabelecida em 6 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão, em regime fechado. Somadas as condenações anteriores, ele acumula 31 anos, 10 meses e 20 dias de prisão.
Jefferson Santos da Silva recebeu pena de 6 anos de reclusão, em regime semiaberto, por sete atos de lavagem de capitais e pelo crime de associação criminosa.
Francisca Neta dos Santos foi condenada por quatro atos de lavagem de dinheiro e associação criminosa. A pena foi fixada em 4 anos e 9 meses de reclusão, também em regime semiaberto.
Roberto dos Santos e Érica Cristina da Silva foram condenados, cada um, a 3 anos e 6 meses de reclusão por dois atos de lavagem de dinheiro. As penas, inicialmente estabelecidas em regime aberto, foram substituídas por medidas restritivas de direitos. Érica foi absolvida da acusação de associação criminosa.
Os acusados Aline da Silva Alves França, Jean Carlos da Silva Santos, Ingrid Daniely Vale dos Santos e Matheus Viana Alves dos Santos foram absolvidos de todas as acusações apresentadas nesta ação.
A decisão judicial também determinou a perda, em favor da União, dos bens, direitos e valores vinculados aos condenados. A Justiça também autorizou a venda antecipada dos bens sequestrados durante as investigações, com o objetivo de evitar a deterioração e a desvalorização do patrimônio.
Apesar das condenações, os réus receberam o direito de recorrer da sentença em liberdade.
Operação Plata
A operação foi destinada a responsabilizar envolvidos em esquema de ocultação e dissimulação de recursos oriundos de infrações penais vinculadas ao tráfico de drogas e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
As investigações, conduzidas pelo MPRN, revelaram que o grupo utilizava uma rede de contatos para fracionar depósitos e distribuir dinheiro em espécie, evitando a identificação pelo sistema financeiro. As provas integradas ao processo incluem relatórios patrimoniais, quebras de sigilo bancário e fiscal, além de dados obtidos em interceptações telefônicas e buscas e apreensões.
