Coligação de Álvaro Dias aciona TRE contra Allyson e pede investigação por abuso de poder político e econômico

Fotos: Gabriel Leite/98FM Natal

A coligação Endireita RN, que sustenta a candidatura de Álvaro Dias (PL) ao Governo do Rio Grande do Norte, ingressou no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN) com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o candidato Allyson Bezerra, por suposto abuso de poder político e econômico.

A ação, protocolada na quarta-feira (3), também inclui como investigados o candidato a vice-governador Hermano Morais, o atual prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros, além de Oseas Monthalggan Fernandes Costa e José Moabe Zacarias Soares. O processo tramita na Relatoria da Corregedoria Regional Eleitoral e não contém, neste momento, pedido de liminar.

O ponto central da ação é a tentativa de estabelecer um nexo eleitoral entre fatos apurados pela Operação Mederi, da Polícia Federal, e a candidatura de Allyson ao Governo do Estado.

Na petição, a coligação sustenta que elementos da investigação criminal apontariam para a possível utilização da estrutura administrativa do Fundo Municipal de Saúde de Mossoró e de recursos públicos em um mecanismo que teria como finalidade beneficiar projetos eleitorais.

A argumentação se apoia principalmente em captações ambientais realizadas na sede da empresa DISMED, em maio de 2025. Segundo a ação, os diálogos contêm referências expressas à “campanha de Allyson” e ao projeto político de disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. A própria petição destaca manifestação do relator da investigação criminal no TRF-5 segundo a qual um dos diálogos indicaria discussão sobre pagamento de propina e destinação de valores para campanha política.

É importante destacar que as acusações apresentadas pela coligação ainda serão submetidas ao contraditório e à produção de provas na Justiça Eleitoral. A própria petição reconhece que parte dos elementos precisa ser confrontada com documentos administrativos, bancários e financeiros para que seja possível individualizar eventual responsabilidade dos investigados.

“Matemática de Mossoró”

Um dos principais elementos levados ao TRE é o diálogo que ficou conhecido como “Matemática de Mossoró”, revelado anteriormente pelo Blog do Barreto.

Em uma das conversas reproduzidas na ação, Oseas Monthalggan explica a José Moabe uma suposta divisão dos valores oriundos de uma ordem de compra de R$ 400 mil. No diálogo, há referência a um percentual de 15% atribuído a Allyson. A petição afirma que a decisão do TRF-5 identificou, pelo contexto das conversas, Allyson como sendo a pessoa mencionada pelos interlocutores.

Em outros diálogos do dia seguinte, os interlocutores falam expressamente em guardar recursos para campanhas. A ação ressalta que há menções diretas à “campanha de Allyson” e também a Marcos Medeiros. Segundo a documentação apresentada, o relator no TRF-5 registrou que uma das conversas “não deixa muita margem a outras interpretações”, diante da discussão sobre propina e finalidade eleitoral.

Contratos da saúde entram no foco da ação

A coligação também apresentou ao TRE um levantamento da relação financeira entre o Fundo Municipal de Saúde de Mossoró e a DISMED.

De acordo com os dados anexados à petição, entre 2022 e 2025 foram identificados 73 empenhos, que somaram R$ 16,6 milhões, dos quais aproximadamente R$ 12,8 milhões teriam sido pagos à empresa. A ação ressalva que a existência dos contratos e dos pagamentos, isoladamente, não comprova qualquer ilegalidade, defendendo que seja investigada a execução dos fornecimentos e a eventual circulação posterior desses recursos.

Outro ponto explorado é uma coincidência de datas. Em 13 de maio de 2025, mesmo dia de parte das gravações realizadas na sede da DISMED, o Fundo Municipal de Saúde emitiu três empenhos para a empresa relacionados à aquisição de medicamentos e materiais médico-hospitalares.

Os três empenhos somaram R$ 802 mil, com cerca de R$ 792 mil pagos. A coligação quer que a Justiça Eleitoral confronte esses pagamentos com a movimentação financeira da empresa e com os elementos reunidos na investigação da Polícia Federal.

Coligação pede acesso às provas da Operação Mederi

Uma parte significativa dos pedidos formulados ao TRE está relacionada à produção de novas provas.

A coligação solicita que o Tribunal oficie o TRF-5 e a Polícia Federal para compartilhar as mídias e transcrições das captações ambientais, conversas de WhatsApp, bases financeiras da DISMED, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático e o material obtido a partir da quebra da criptografia de 32 aparelhos eletrônicos apreendidos na Operação Mederi.

Também é requerida à Prefeitura de Mossoró a íntegra de processos licitatórios envolvendo a DISMED, incluindo editais, propostas, notas fiscais, ordens de fornecimento, atestados de recebimento, liquidações e pagamentos.

Entre os procedimentos citados estão os pregões referentes à Farmácia Básica, medicamentos injetáveis para as UPAs, psicotrópicos e materiais médico-hospitalares. A ação ainda pede os registros completos de empenho e pagamento feitos à empresa entre 2022 e 2025.

A coligação solicita ainda que a Justiça faça o cruzamento entre pagamentos públicos e a movimentação financeira posterior da DISMED e de seus sócios, além de analisar as prestações de contas eleitorais de 2026 para verificar a existência de eventual ingresso, direto ou indireto, de recursos relacionados ao núcleo investigado.

Confira a ação na íntegra clicando aqui