Natália diz que relatos de compra de votos se repetem no RN e cita apreensão de R$ 1,5 milhão pela PF

Foto: Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados

A deputada federal Natália Bonavides (PT) afirmou que sua campanha tem recebido relatos recorrentes de suposta compra de votos e pressão sobre eleitores no Rio Grande do Norte e disse enxergar semelhanças entre o cenário eleitoral de 2026 e episódios denunciados após a eleição municipal de Natal em 2024.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Natália usou como ponto de partida a apreensão de mais de R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo realizada pela Polícia Federal durante a Operação Sem Lastro, deflagrada na segunda-feira (14). A investigação apura indícios de falsidade ideológica eleitoral e possível utilização de recursos não declarados em atividades de campanha.

O dinheiro está relacionado ao deputado estadual e candidato à reeleição Luiz Eduardo (PL), que negou qualquer irregularidade. Segundo ele, os valores são provenientes de saques de contas bancárias próprias, têm origem lícita e permaneciam guardados em sua residência.

Para Natália, no entanto, a apreensão deve servir de alerta diante dos relatos que, segundo ela, têm chegado à campanha.

“A gente está recebendo muito relato, muito relato já de compra de voto, de tentar dar dinheiro para pedir para pregar adesivo, quando não pregam sem autorização. Mas muito mesmo”, afirmou.

A deputada disse que as pessoas que relatam os casos demonstram receio de produzir provas ou se identificar por medo de sofrer represálias.

“Até agora a gente não conseguiu gravação, coisas do tipo, porque as pessoas têm muito medo de se expor, têm muito medo da perseguição que aconteceu em 2024. Mas eu queria dizer para vocês que isso está acontecendo de novo”, declarou.

Na avaliação de Natália, a apreensão feita pela Polícia Federal amplia a necessidade de atenção sobre o processo eleitoral.

“Esse dinheiro, R$ 1,5 milhão em dinheiro em espécie que foi achado com esse candidato do PL, deve ligar um sinal, um alerta ainda maior para a gente”, disse.

A Polícia Federal, em sua comunicação oficial sobre a Operação Sem Lastro, não afirmou que o dinheiro apreendido seria destinado à compra de votos. A corporação informou que investiga a origem e a possível destinação dos recursos e apura eventual utilização de valores não declarados em atividades de campanha.

Natália relaciona cenário a denúncias da eleição de 2024

Durante a fala, Natália também recuperou a disputa pela Prefeitura de Natal em 2024, quando chegou ao segundo turno contra Paulinho Freire.

A parlamentar citou a Ação de Investigação Judicial Eleitoral apresentada posteriormente pelo Ministério Público Eleitoral contra o prefeito Paulinho Freire, o ex-prefeito Álvaro Dias e outros envolvidos. O MPRN pediu a cassação de diplomas e a declaração de inelegibilidade dos investigados, apontando indícios de abuso de poder político e econômico, coação de servidores e uso de serviços públicos para obtenção de apoio eleitoral.

Ao comentar o processo, Natália afirmou que vê sinais de repetição daquele ambiente na atual campanha.

“A gente está vendo algumas coisas se repetirem esse ano. Esse ano a eleição não é só em Natal, é no estado inteiro. Mas a gente está vendo a mesma turma, as mesmas pessoas, o mesmo grupo dessas candidaturas do 22, do PL, ligados a Bolsonaro, fazendo tudo de novo”, acusou.

Ela também relacionou diretamente os relatos recebidos nas ruas com o episódio investigado pela Polícia Federal.

“Um candidato a estadual com R$ 1,5 milhão, vocês imaginam como está sendo essa estrutura para essas pessoas que não conseguem conquistar voto no debate, que não conseguem conquistar voto trabalhando. Como é que elas estão fazendo para ter esse volume de dinheiro correndo? Isso é totalmente compatível com o que a gente tem escutado nas ruas”, afirmou.