A média ponderada das pesquisas realizadas na última semana da campanha eleitoral no Rio Grande do Norte aponta Styvenson Valentim (Podemos) e Zenaide Maia (PSD) nas duas primeiras posições da disputa pelas duas vagas do Senado.
O levantamento elaborado pelo Blog do Barreto reúne as pesquisas estaduais incorporadas ao agregado da reta final e soma 23.562 entrevistas. Para tornar comparáveis levantamentos divulgados com metodologias diferentes, os resultados foram colocados numa escala comum de 100%. Nas pesquisas que apresentam a soma do primeiro e do segundo voto numa base potencial de 200%, os percentuais foram divididos por dois.
Esse procedimento é necessário porque, nesta eleição, cada eleitor pode escolher dois candidatos ao Senado. Levantamentos publicados já em escala consolidada de 100%, como AtlasIntel e outros, foram mantidos em sua escala original.
Styvenson lidera e Zenaide aparece em segundo
Na média ponderada pelo tamanho das amostras, Styvenson termina a última semana com 22,63% das escolhas.
Zenaide aparece em segundo lugar, com 15,93%.
A disputa seguinte é bem mais próxima. Samanda de Lula (PT) alcança 11,48%, seguida por Coronel Hélio (PL), com 10,39%, e Rafael Motta (PDT), com 9,09%.
| Candidato | Média ponderada |
| Styvenson Valentim | 22,63% |
| Zenaide Maia | 15,93% |
| Samanda de Lula | 11,48% |
| Coronel Hélio | 10,39% |
| Rafael Motta | 9,09% |
A distância de Styvenson para Zenaide é de 6,70 pontos percentuais. Zenaide, por sua vez, aparece 4,45 pontos à frente de Samanda.
No segundo pelotão, as diferenças são menores: Samanda está 1,09 ponto à frente de Hélio, enquanto Hélio supera Rafael por 1,30 ponto.
O quadro é compatível com a tendência observada ao longo de setembro. Um levantamento independente que reuniu 28 pesquisas daquele mês também encontrou Styvenson e Zenaide nas duas primeiras colocações, com médias de 21,8% e 16,8%, respectivamente.
Pesquisas finais mostram forte dispersão
O agregado ajuda a dimensionar uma característica marcante da disputa para o Senado: os institutos chegaram à reta final apresentando diferenças consideráveis entre si, especialmente na briga pela segunda vaga.
A DataVero, por exemplo, encontrou no resultado unificado Styvenson com 22,38%, Zenaide com 15,20%, Samanda com 11,59%, Rafael com 8,89% e Hélio com 8,39%. A pesquisa ouviu 1.500 pessoas entre 30 de setembro e 2 de outubro.
Seta e Metadata também colocaram Styvenson e Zenaide nas duas primeiras posições. Na Seta, eles marcaram 25,6% e 22,4%; na Metadata, 22,06% e 16,23%.
Já pesquisas como AtlasIntel e Veritá, incorporadas ao agregado a partir dos dados divulgados pelos próprios institutos, apresentaram Samanda, Hélio e Rafael em patamares significativamente superiores aos encontrados em parte dos demais levantamentos.
É justamente essa dispersão que torna a média útil: em vez de tomar uma pesquisa isolada como fotografia definitiva, o agregado reduz o impacto estatístico de resultados muito acima ou muito abaixo do conjunto.
Atlas aperta o segundo pelotão
Uma das últimas pesquisas incorporadas foi a AtlasIntel. O instituto apresentou Styvenson com 24,4%, Samanda com 20,8%, Hélio com 17,3%, Rafael com 16,6% e Zenaide com 13,2%.
Apesar de a Atlas apresentar uma configuração bastante diferente da maioria dos levantamentos anteriores, seu peso no agregado é proporcional à sua amostra. Por isso, ela aproxima Samanda, Hélio e Rafael, mas não é suficiente para retirar Zenaide da segunda posição na média geral.
A mesma lógica vale para qualquer instituto: nenhuma pesquisa recebe peso arbitrário por ser mais recente ou por apresentar determinado resultado. O peso utilizado no cálculo é o tamanho da amostra.
Indefinição está concentrada no segundo voto
Outro dado importante da reta final é o elevado número de eleitores que ainda não haviam definido suas duas escolhas.
A DataVero oferece um bom exemplo. No primeiro voto, 21,52% estavam em NS/NR ou nenhum/branco/nulo. No segundo voto, esse contingente chegava a 39,31%. No consolidado, eram 30,41% das escolhas.
Isso ajuda a explicar por que pesquisas para o Senado apresentam percentuais aparentemente baixos mesmo para os líderes: muitos entrevistados já escolheram um candidato, mas ainda não definiram o segundo voto.
Nos cálculos que fizemos com os levantamentos que permitem separar corretamente candidatos menores de NS/NR, branco, nulo ou nenhum, a indefinição permaneceu em torno de três em cada dez escolhas.
O Blog do Barreto evita incluir a Veritá nessa conta específica porque o instituto agrupou numa mesma categoria “outros/NS/NR/branco/nulo”. “Outros” representam votos em candidatos e são votos válidos, enquanto as demais categorias não são. Misturá-los produziria uma estimativa artificialmente elevada de indefinição.
Agregado não é pesquisa eleitoral
É importante fazer uma distinção: o agregado do Blog do Barreto não é uma nova pesquisa eleitoral e não representa previsão do resultado das urnas.
Trata-se de um cálculo jornalístico realizado a partir de pesquisas registradas e divulgadas por diferentes institutos. Os resultados foram padronizados para permitir a comparação entre levantamentos que apresentam primeiro e segundo voto separadamente, soma dos dois votos ou resultado consolidado.
Também não existe uma “margem de erro do agregado”. Cada pesquisa conserva sua própria margem de erro, metodologia, período de campo e nível de confiança.
A média serve para responder a outra pergunta: qual foi o quadro médio captado pelo conjunto das pesquisas na última semana da eleição?
E, por essa régua, a fotografia final é clara: Styvenson termina a campanha na liderança do agregado; Zenaide ocupa a segunda posição; e Samanda, Coronel Hélio e Rafael Motta aparecem em um segundo pelotão mais próximo entre si.
A votação deste domingo é que determinará se essa fotografia produzida pelas pesquisas da reta final será confirmada nas urnas.
