Cadu é o candidato ao Governo que venceu em mais cidades do RN

Foto: Acervo pessoal

O resultado do primeiro turno da eleição para o Governo do Rio Grande do Norte revela uma disputa que teve características bastante diferentes quando se observa a distribuição territorial dos votos. Embora Allyson Bezerra tenha terminado na primeira colocação no conjunto do Estado, foi Cadu de Lula quem venceu no maior número de municípios potiguares.

Dos 167 municípios do Rio Grande do Norte, Cadu terminou em primeiro lugar em 73 cidades, enquanto Allyson foi o candidato mais votado em 65. Já Álvaro Dias liderou a votação em 29 municípios.

Assim, a quantidade de municípios vencidos ficou distribuída da seguinte forma: Cadu, 43,7% das cidades do RN; Allyson, 38,9%; e Álvaro, 17,4%.

O dado mostra que liderança territorial e liderança no número absoluto de votos são coisas diferentes. Uma vitória expressiva em municípios mais populosos pode compensar derrotas em várias cidades pequenas. Da mesma maneira, um candidato pode conquistar um número maior de municípios sem necessariamente terminar na primeira colocação na soma estadual.

Mapa revela três áreas de força

A distribuição geográfica ajuda a explicar a configuração da disputa.

Cadu de Lula apresentou uma presença territorial ampla e terminou como vencedor do maior número de municípios. Seus 73 triunfos municipais representam quase 44% das cidades potiguares.

Allyson Bezerra, por sua vez, venceu 65 municípios. Mesmo ficando atrás de Cadu no número de cidades conquistadas, conseguiu concentrar votos suficientes para terminar à frente na votação estadual e garantir sua presença no segundo turno.

O terceiro desenho territorial é o de Álvaro Dias. Ele venceu em 29 municípios e teve como resultado politicamente mais relevante a vitória em Natal, maior colégio eleitoral do Rio Grande do Norte. A capital tem peso muito superior ao da maioria dos municípios do interior, o que ajuda a explicar como a votação de Álvaro se manteve competitiva mesmo com um número menor de cidades vencidas.

Interior fragmentado

O mapa também evidencia que nenhum dos três principais candidatos conseguiu monopolizar eleitoralmente o interior do Estado.

Cadu e Allyson dividiram boa parte do território potiguar, enquanto Álvaro conquistou bolsões importantes de votação. A eleição, portanto, produziu um RN eleitoralmente fragmentado, sem que um único candidato dominasse todas as regiões.

A diferença entre o mapa territorial e o resultado agregado das urnas é um dos aspectos mais interessantes do primeiro turno. Cadu venceu em oito municípios a mais que Allyson (73 contra 65), mas isso não foi suficiente para superar o adversário na votação estadual.

É uma demonstração do peso desigual dos municípios numa eleição majoritária. Vencer uma cidade não equivale a conquistar uma unidade de igual peso eleitoral: ganhar por ampla margem em grandes centros pode valer, em número de votos, mais do que sucessivas vitórias em pequenos municípios.

Segundo turno começa com geografias eleitorais diferentes

A distribuição também oferece uma primeira pista sobre a disputa do segundo turno entre Allyson e Cadu.

Cadu chega à nova etapa tendo obtido a liderança no maior número de municípios, enquanto Allyson parte da condição de primeiro colocado na votação estadual. O desafio dos dois passa, portanto, tanto pela consolidação de seus territórios quanto pela conquista dos eleitores que escolheram Álvaro Dias e os demais candidatos no primeiro turno.

Os 29 municípios vencidos por Álvaro, sobretudo Natal, tornam-se particularmente relevantes nessa nova configuração.

O primeiro turno deixou, assim, dois mapas sobrepostos: Cadu ganhou em mais cidades; Allyson ganhou mais votos. É dessa diferença entre capilaridade territorial e concentração eleitoral que começa a batalha pelo segundo turno no Rio Grande do Norte.