O vereador Cabo Deyvison (PL) anunciou que não apoiará nenhum dos dois candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte no segundo turno. Apesar da posição de neutralidade, o parlamentar divulgou um vídeo nas redes sociais em que concentra todas as suas críticas no ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União Brasil), sem fazer qualquer questionamento ao adversário Cadu de Lula (PT).
Deyvison iniciou sua manifestação lembrando que, no primeiro turno, apoiou Álvaro Dias (PL), por considerá-lo o candidato mais preparado para enfrentar as organizações criminosas. Ao abordar a disputa entre Allyson e Cadu, o vereador deixou evidente sua rejeição ao ex-prefeito de Mossoró.
“E agora, no segundo turno, temos duas opções para governador do estado: o PT e um candidato acusado de desviar mais de 14 milhões da saúde pública de Mossoró”, afirmou.
O parlamentar também mencionou dinheiro supostamente encontrado em caixas de isopor. As declarações são acusações feitas pelo vereador e não comprovam, por si só, responsabilidade do candidato.
Na sequência, Deyvison apresentou uma série de críticas à administração municipal, principalmente nas áreas da saúde, infraestrutura e assistência social.
“Um candidato que eu sempre denunciei pelo abandono e descaso com as nossas periferias. Com abandono e o descaso com a saúde pública, UPAs superlotadas, servidores sobrecarregados, aparelhamento da Secretaria de Saúde, privilegiando atendimentos para quem é amigo do rei”, disparou.
Outro ponto destacado pelo vereador foi o aumento do IPTU em Mossoró. Deyvison criticou a política tributária da Prefeitura e afirmou que moradores estariam enfrentando dificuldades para pagar o imposto.
“E você que tá pagando hoje mil e seiscentos, dois mil reais de IPTU? Você que já teve sua conta bloqueada? Você que foi ameaçado de ter um benefício social cortado porque não pagou o IPTU? Você sabe do que eu estou falando”, declarou.
O parlamentar afirmou ainda que o aumento do valor venal dos imóveis provocou uma elevação expressiva na cobrança do tributo. “Hoje está pagando 160% a mais para ter a mesma rua”, criticou.
Deyvison também retomou denúncias de supostas irregularidades em processos licitatórios da Prefeitura. “Um candidato que eu denunciei por superfaturamento em licitações, como foi o caso dos enfeites natalinos”, disse.
O vereador ainda acusou Allyson de participar de uma articulação política para cassar seu mandato, envolvendo o vice-governador Walter Alves, presidente estadual do MDB.
“Um candidato que articulou juntamente com Walter Alves, presidente do MDB, a cassação do nosso mandato”, afirmou. A suposta articulação é uma acusação de Deyvison, não um fato demonstrado pelo vídeo.
Apesar da sucessão de críticas, o parlamentar encerrou o trecho sobre a eleição estadual sem anunciar apoio a Cadu.
“Fique à vontade para escolher entre os dois candidatos”, declarou.
Voto em Flávio Bolsonaro
Se para o Governo do Estado Deyvison preferiu não escolher um candidato, na disputa presidencial anunciou apoio explícito a Flávio Bolsonaro (PL).
“Nesse segundo turno, o meu único voto é para Flávio Bolsonaro, 22. Pela paz, pela liberdade, pela segurança pública, pelo seu direito de ir e vir”, afirmou.
O vereador justificou a escolha pelo posicionamento do presidenciável em relação à segurança pública e recordou o atentado que sofreu durante a campanha eleitoral.
“O candidato Flávio Bolsonaro foi o único que se posicionou e se solidarizou com aquele ataque terrorista que eu sofri”, declarou.
Assim, Cabo Deyvison chega à reta final do segundo turno com uma posição bastante peculiar: pede votos para Flávio Bolsonaro na eleição presidencial, não declara apoio a Cadu na disputa estadual, mas faz questão de reafirmar sua oposição a Allyson Bezerra.
É uma neutralidade que, na prática, tem endereço político definido.
