O presidente Lula (PT) repetiu nas eleições de 2026 o desempenho territorial alcançado quatro anos antes e venceu em 166 dos 167 municípios do Rio Grande do Norte. A única exceção foi Parnamirim, na Região Metropolitana de Natal, que confirmou mais uma vez a condição de principal reduto eleitoral do bolsonarismo no Estado.
No segundo turno realizado neste domingo (25), Lula recebeu 1.413.596 votos, equivalentes a 65,72% dos votos válidos no Rio Grande do Norte. Flávio Bolsonaro (PL) conquistou 737.409 votos (34,28%). A vantagem do petista foi de 676.187 votos.
O resultado é semelhante ao registrado em 2022, quando Lula venceu em 166 municípios potiguares e perdeu apenas em Parnamirim, naquela oportunidade para Jair Bolsonaro (PL), pai de seu adversário deste ano.
A diferença é que, desta vez, a permanência de Parnamirim como única cidade potiguar vencida pelo bolsonarismo dependeu de uma virada apertadíssima em Galinhos, município do litoral Norte que havia dado a maioria dos votos a Flávio no primeiro turno.
Parnamirim, a cidadela bolsonarista
A votação em Parnamirim confirmou uma particularidade da geografia eleitoral potiguar. Pela segunda eleição presidencial consecutiva, a cidade foi a única do Rio Grande do Norte onde Lula terminou derrotado.
Em 2022, Jair Bolsonaro recebeu 60.389 votos (53,67%) no segundo turno em Parnamirim, contra 52.136 (46,33%) de Lula. A diferença foi de 8.253 votos.
Quatro anos depois, Flávio Bolsonaro manteve a liderança, mas por uma margem menor. O candidato do PL conquistou 61.690 votos (51,08%), enquanto Lula recebeu 59.088 (48,92%). A diferença caiu para apenas 2.602 votos.
O resultado mostra que, embora Parnamirim continue sendo um reduto eleitoral da família Bolsonaro, a vantagem do candidato do PL diminuiu em relação à eleição presidencial anterior.
A redução também ocorreu entre os dois turnos de 2026.
Na votação de 4 de outubro, Flávio havia alcançado 59.345 votos, contra 49.084 de Lula, uma diferença de 10.261 votos.
No segundo turno, a vantagem bolsonarista foi reduzida em 7.659 votos. Lula acrescentou 10.004 votos à sua votação, enquanto Flávio ganhou outros 2.345.
Parnamirim terminou, portanto, como a única cidade potiguar em que Flávio Bolsonaro conseguiu superar Lula, repetindo o comportamento registrado na disputa presidencial entre Lula e Jair Bolsonaro em 2022.
A virada por sete votos em Galinhos
Se Parnamirim manteve sua posição no mapa eleitoral, Galinhos protagonizou uma das disputas mais equilibradas do segundo turno no Rio Grande do Norte.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro havia conquistado 1.089 votos (48,34%), contra 1.041 de Lula (46,21%). A diferença era de apenas 48 votos.
Com o segundo turno, o cenário mudou.
Lula terminou com 1.051 votos (50,17%), enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 1.044 votos (49,83%). A diferença foi de apenas sete votos favoráveis ao petista.
Entre os dois turnos, Lula ganhou dez votos, enquanto Flávio perdeu 45. A variação foi suficiente para inverter o resultado no município.
A vitória em Galinhos teve importância na composição do mapa eleitoral. No primeiro turno, Lula havia vencido em 165 municípios, enquanto Flávio liderou em Parnamirim e Galinhos.
Com a mudança no resultado da cidade litorânea, o presidente passou a vencer em 166 municípios, restando apenas Parnamirim como exceção.
Lula amplia vantagem no RN em relação a 2022
Além de repetir a vitória em 166 cidades, Lula aumentou sua votação proporcional no Rio Grande do Norte na comparação com a eleição presidencial anterior.
Em 2022, o petista recebeu 1.326.785 votos no segundo turno, correspondentes a 65,10% dos votos válidos. Jair Bolsonaro terminou com 711.381 votos (34,90%).
Em 2026, Lula alcançou 1.413.596 votos, ou 65,72%, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 737.409 (34,28%).
O presidente conquistou 86.811 votos a mais do que havia recebido quatro anos antes, enquanto a diferença entre os dois candidatos passou de 615.404 votos, em 2022, para 676.187, em 2026.
O resultado também confirmou a distribuição territorial observada nas eleições anteriores, com Lula alcançando a maioria dos votos tanto nos grandes centros, como Natal e Mossoró, quanto nos municípios do interior potiguar.
