O agregado final das pesquisas para deputado estadual no Rio Grande do Norte indica uma disputa concentrada em cinco nominatas pela composição das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa.
O levantamento elaborado pelo Blog do Barreto reúne dez pesquisas estaduais consideradas na reta final da campanha, totalizando 17.036 entrevistas. A média foi calculada de forma ponderada pelo tamanho das amostras de cada levantamento.
Foram consideradas pesquisas de Data Capital, Pitágoras, Perfil, Consult, Metadata, DataVero, Exatus, Seta, TS2/TCM e Media/O Potengi. A pesquisa ITEM ficou fora do cálculo final porque o material disponível agrupava 11% das respostas em “outros”, sem discriminar os candidatos, o que inviabilizaria uma distribuição consistente desses votos entre as nominatas.
A Media/O Potengi considerada é a pesquisa correta divulgada em 3 de outubro, com 2 mil entrevistas e registro RN-01543/2026.
Simulação aponta 7 cadeiras para a União Progressista
Aplicando a votação agregada das nominatas à lógica do sistema proporcional, a simulação matemática resulta na seguinte distribuição das 24 vagas:
| Partido/federação | Cadeiras |
|---|---|
| União Progressista (União/PP) | 7 |
| PL | 6 |
| Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) | 5 |
| Federação PSDB/Cidadania | 4 |
| MDB | 2 |
| Total | 24 |
A distribuição é uma simulação matemática, e não uma previsão de resultado. Nas eleições proporcionais, a definição das cadeiras depende da votação efetivamente obtida por cada partido ou federação, do quociente eleitoral, do quociente partidário, da votação nominal e das regras para distribuição das sobras.
UP tem sete nomes na faixa correspondente às vagas
Na União Progressista, a faixa das sete primeiras posições do agregado é formada por Cinthia de Allyson, Kleber Rodrigues, Neilton Diógenes, Nelter Queiroz, Robson Carvalho, Júlio César e Galeno Torquato.
É uma nominata com votação relativamente pulverizada entre vários candidatos competitivos, o que ajuda a explicar por que a federação aparece com a maior bancada na simulação.
PL aparece com seis cadeiras
O PL alcança seis vagas no exercício matemático.
Na parte superior da nominata aparecem Tomba Farias, Coronel Azevedo, Gustavo Carvalho, Adjuto Dias, Dr. Kerginaldo e Luiz Eduardo.
Logo abaixo da faixa correspondente às seis cadeiras aparecem Getúlio Rêgo e Jorge do Rosário, compondo a principal região de disputa interna da nominata.
Jorge do Rosário foi contabilizado no PL no cálculo final.
Federação Brasil da Esperança teria cinco vagas
Uma das disputas internas mais apertadas está na Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV).
O agregado ponderado coloca:
| Ordem | Candidato | Média aproximada |
|---|---|---|
| 1 | Francisco do PT | 2,08% |
| 2 | Ubaldo Fernandes | 1,57% |
| 3 | Eudiane Macedo | 1,52% |
| 4 | Kaline de Dr. Bernardo | 1,49% |
| 5 | Isolda Dantas | 1,34% |
| 6 | Divaneide Basílio | 1,23% |
| 7 | Ivanilson Oliveira | ≈1,1% |
Se as cinco cadeiras calculadas para a federação fossem utilizadas apenas como uma linha de corte sobre o ranking das pesquisas, Isolda Dantas ocuparia a quinta posição, imediatamente seguida por Divaneide Basílio.
A diferença entre as duas no agregado é de apenas 0,11 ponto percentual, mostrando que a disputa na região da quinta posição está longe de poder ser considerada definida.
PSDB/Cidadania aparece com quatro cadeiras
A Federação PSDB/Cidadania alcança quatro vagas na simulação.
Os quatro primeiros colocados de sua nominata no agregado são Ezequiel Ferreira, Cristiane Dantas, Dr. Gustavo Soares e Ériko Jácome.
Taveira Júnior também integra a Federação PSDB/Cidadania e aparece na sequência da nominata, correção incorporada ao levantamento final.
MDB ficaria com duas
O MDB alcança duas cadeiras na simulação.
Walter Alves e Bibiano ocupam as duas primeiras posições da nominata no agregado, enquanto Ivan Júnior, que pertence ao MDB, aparece na sequência e seria o nome imediatamente abaixo da faixa correspondente às duas vagas.
Nesse caso, a disputa pela segunda posição também merece cautela porque oscilações relativamente pequenas podem modificar a ordem interna.
Pesquisas proporcionais exigem cautela
Os números precisam ser interpretados de maneira diferente das pesquisas para governador, presidente ou senador.
A pesquisa proporcional é espontânea: o entrevistado informa o nome de um candidato sem receber uma lista. Por isso, mesmo às vésperas da eleição, existe um contingente muito elevado de entrevistados que não cita candidato algum.
Na Media/O Potengi final, por exemplo, 28,95% não souberam responder e 3,35% indicaram branco ou nulo. Na TS2, o percentual de não sabe/não respondeu chegou a 44,7%.
Isso significa que uma parcela muito expressiva da votação ainda não aparece distribuída nominalmente nas pesquisas.
Por esse motivo, o agregado funciona melhor como uma fotografia da força relativa das nominatas e dos candidatos do que como instrumento para cravar a composição futura da Assembleia.
Fotografia final: 7–6–5–4–2
O resultado central do levantamento é uma Assembleia hipoteticamente dividida em cinco bancadas:
7 UP + 6 PL + 5 Brasil da Esperança + 4 PSDB/Cidadania + 2 MDB = 24 deputados.
Dentro dessas nominatas, as regiões mais interessantes estão justamente nas últimas posições correspondentes às vagas. Luiz Eduardo/Getúlio Rêgo no PL, Isolda/Divaneide na Federação Brasil da Esperança e Bibiano/Ivan Júnior no MDB são exemplos de fronteiras em que pequenas alterações podem mudar a fotografia.
Portanto, os nomes colocados dentro da faixa de vagas não devem ser apresentados como deputados eleitos antecipadamente. São os candidatos que, no agregado das pesquisas, ocupam as posições numericamente correspondentes ao número de cadeiras calculado para cada nominata.
O resultado definitivo dependerá exclusivamente das urnas e da aplicação, pela Justiça Eleitoral, das regras do sistema proporcional sobre os votos válidos deste domingo.
