A ex-reitora da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), Ludimilla Oliveira, virou alvo de ataques nas redes sociais após questionar a decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL) de deixar o Brasil e seguir para os Estados Unidos depois da derrota nas eleições presidenciais de 2026.
Declaradamente conservadora e identificada com a direita brasileira, Ludimilla publicou uma manifestação em seu perfil no Instagram defendendo que os problemas políticos e institucionais do país sejam resolvidos internamente, sem interferência de governos estrangeiros.

“Tenho minhas convicções políticas e partidárias inclinadas na Direita Brasileira e isso não é nenhuma novidade. Mas, não concordo com problemas do nosso país, sendo despachados na Casa Branca”, escreveu.
A ex-reitora também argumentou que é necessário separar os problemas pessoais enfrentados por Flávio Bolsonaro das questões políticas nacionais.
“É preciso diferenciar os problemas de ordem pessoal que levaram o Senador Flávio Bolsonaro a buscar asilo político, dos problemas da nossa nação. Então é no Brasil que se resolve o Brasil”, afirmou.
A declaração foi suficiente para provocar uma série de reações agressivas, incluindo ataques pessoais, questionamentos à capacidade intelectual da professora e acusações de que ela estaria contrariando os interesses da direita.
Em um dos comentários, um internauta questionou a própria trajetória acadêmica da ex-reitora: “Eu fico me perguntando como essa mulher é doutora e concursada de uma universidade federal”.
Outro escreveu: “Essa mulher não possui nenhum senso lógico? Vive no mundo de Nárnia? Que infantilidade”.
Houve também quem sugerisse que Ludimilla deveria permanecer em silêncio. “Incrível uma pessoa falar uma asneira dessa sem falar como resolveria o problema, isso significa que nem ela sabe como resolver. Então seria melhor ficar calada”, afirmou um dos críticos.
Em outra manifestação, um internauta disparou: “A senhora calada é uma poetisa”. O comentário recebeu dezenas de curtidas.
As críticas também vieram acompanhadas de ironias sobre a identificação política da professora. Uma pessoa escreveu que ela seria “tão bem informada e de Direita quanto uma universitária da Federal”, acrescentando a expressão “fraude nas urnas”.
Outros comentários questionaram sua fidelidade ao campo conservador, chegando a acusá-la de apoiar o PT. Também apareceram manifestações de deboche, como “Kkkkk piada!”, e mensagens afirmando que sua opinião não teria relevância.
Parte dos comentários reproduziu ainda a narrativa, difundida por segmentos do bolsonarismo, de que o Brasil estaria vivendo sob uma “ditadura comunista”. A alegação apareceu como justificativa para a saída de Flávio Bolsonaro do país e para a defesa de uma intervenção política internacional.
Apesar das críticas, Ludimilla não recuou e voltou à publicação para esclarecer seu posicionamento.
“Não entendi porque tanta revolta! A única coisa que deixei claro foi que o ASILO POLÍTICO É DIFERENTE DA DISCUSSÃO ELEITORAL. Votei nele e estou apenas deixando claro que uma Nação não pode interferir noutra Nação”, respondeu.
A professora também reafirmou sua identificação ideológica e destacou que discordar de uma atitude específica de Flávio Bolsonaro não significa abandonar suas convicções políticas.
“Não vou discutir opinião de ninguém, mas eu posso ser clara e honesta nos meus posicionamentos. E isso não muda em nenhum momento minha defesa pela Direita Brasileira”, concluiu.
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Nomeada por Bolsonaro, Ludimilla tem trajetória ligada à direita
O episódio chama atenção pela trajetória da própria Ludimilla Oliveira no campo conservador.
Em agosto de 2020, ela foi nomeada reitora da Ufersa pelo então presidente Jair Bolsonaro, apesar de ter ficado em terceiro lugar na consulta à comunidade acadêmica. A decisão contrariou a preferência expressa nas urnas por professores, técnicos e estudantes e provocou manifestações dentro da universidade.
A nomeação transformou Ludimilla em uma figura associada politicamente ao governo Bolsonaro e gerou uma série de embates com setores da comunidade universitária ao longo de sua gestão.
Agora, a ex-reitora experimenta um pouco da hostilidade de de pessoas que compartilham de sua mesma orientação política.
Fuga ocorreu após derrota eleitoral e decisão do STF
Flávio Bolsonaro deixou o território brasileiro na noite de 27 de outubro, dois dias depois de perder o segundo turno das eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O senador cruzou a fronteira com a Argentina, acompanhado da esposa e das filhas, e embarcou em um avião particular que fez escala no Equador antes de seguir para Miami, onde chegou no dia 28.
A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes do parlamentar e proibir sua saída do país. A decisão foi tomada no âmbito de investigação envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro, negadas pelo senador.
