A distribuição do Fundo Eleitoral pelo PL para as eleições de 2026 no Rio Grande do Norte tem produzido uma situação que chama atenção dentro da própria nominata do partido. Enquanto deputados estaduais já conhecidos do eleitorado potiguar receberam R$ 350 mil cada para financiar suas campanhas, o candidato Bispo Paulo Luiz, ainda pouco conhecido no cenário político do estado, foi contemplado com R$ 1,2 milhão pela Direção Nacional da legenda.
Os dados registrados na prestação de contas eleitoral mostram que Paulo Luiz recebeu dois repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), ambos realizados pela Direção Nacional do PL no dia 25 de agosto. Foram R$ 1 milhão em uma transferência e outros R$ 200 mil em uma segunda operação, totalizando R$ 1,2 milhão.
O montante coloca Bispo Paulo Luiz em uma situação privilegiada dentro da nominata proporcional do PL no Rio Grande do Norte. O valor representa aproximadamente 94% do teto de gastos permitido para uma candidatura a deputado estadual no estado, fixado em cerca de R$ 1,27 milhão.
A diferença fica ainda mais evidente quando o financiamento é comparado ao destinado a nomes com atuação política consolidada no Rio Grande do Norte.
Deputados como Gustavo Carvalho, Coronel Azevedo e Luiz Eduardo, que já possuem mandato na Assembleia Legislativa e buscam permanecer na Casa, receberam R$ 350 mil cada do Fundo Eleitoral. Outros parlamentares e candidatos considerados competitivos dentro da nominata também ficaram muito abaixo do valor destinado a Paulo Luiz.
Na prática, o candidato recebeu R$ 850 mil a mais do que cada um desses deputados. O R$ 1,2 milhão destinado a Paulo Luiz corresponde a cerca de 3,4 vezes os R$ 350 mil repassados individualmente aos parlamentares.
Candidato tem trajetória política fora do RN
Apesar de pouco conhecido do eleitorado potiguar, Bispo Paulo Luiz não é estreante na política.
Paulo Luiz da Silva Pereira, de 65 anos, construiu sua trajetória eleitoral principalmente no Maranhão. Segundo registros da Justiça Eleitoral, disputou quatro eleições naquele estado entre 2010 e 2016.
Em 2010, foi candidato a deputado estadual pelo então PRB e obteve 15.603 votos, ficando na suplência. Dois anos depois, foi eleito vereador de São Luís com 5.794 votos.
Em 2014, tentou chegar à Câmara dos Deputados. Recebeu 35.292 votos na disputa para deputado federal pelo Maranhão, mas não conseguiu se eleger. Em 2016 voltou a concorrer a vereador em São Luís, alcançando 7.237 votos, também sem eleição.
A eleição de 2026 marca, portanto, a entrada de Paulo Luiz em uma disputa eleitoral pelo Rio Grande do Norte.
O candidato também é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, estrutura religiosa com histórica presença nas disputas eleitorais em diferentes estados brasileiros.
Distribuição coloca mandatários em segundo plano
O investimento feito pela direção nacional transforma Paulo Luiz em uma das candidaturas mais abastecidas financeiramente pelo PL no estado e, entre os candidatos da legenda à Assembleia Legislativa, coloca seu caixa bem acima do destinado a nomes que já possuem mandato.
Além de Gustavo Carvalho, Coronel Azevedo e Luiz Eduardo, outros candidatos do partido à Assembleia também receberam valores inferiores. No levantamento divulgado a partir dos dados do DivulgaCand, nomes como Tomba Farias, Terezinha Maia e Dr. Kerginaldo também aparecem com R$ 350 mil de Fundo Eleitoral cada.
Há ainda uma segunda faixa de financiamento, com candidatos contemplados com R$ 200 mil; outros receberam R$ 100 mil ou R$ 50 mil.
O contraste expõe uma escolha política da direção nacional do PL: em vez de concentrar os maiores investimentos apenas em parlamentares com mandato e nomes já conhecidos no estado, a legenda decidiu colocar uma quantia próxima ao limite máximo de gastos em uma candidatura que estreia eleitoralmente no Rio Grande do Norte.
A decisão ganha ainda mais peso porque os recursos são provenientes do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, formado por dinheiro público e distribuído nacionalmente aos partidos para custear as eleições.
Os dados não apontam qualquer irregularidade no repasse. Os partidos possuem autonomia para definir a distribuição do Fundo Eleitoral entre suas candidaturas, observadas as regras e percentuais estabelecidos pela legislação eleitoral. O que chama atenção, neste caso, é a disparidade na escolha política feita pela direção partidária.
Com R$ 1,2 milhão, Bispo Paulo Luiz recebeu praticamente todo o espaço financeiro permitido para uma campanha a deputado estadual já nos primeiros repasses, enquanto parlamentares do próprio PL que buscam a reeleição começaram a disputa com menos de um terço desse montante proveniente do Fundo Eleitoral.
A diferença coloca uma questão no centro da disputa interna da legenda: qual o peso político e eleitoral atribuído pela direção nacional do PL à candidatura de Bispo Paulo Luiz para justificar um investimento tão superior ao destinado aos próprios deputados estaduais do partido?
