Planos de Governo: Allyson aposta em grandes obras e políticas sociais, mas não detalha custos 

Allyson Bezerra (foto: cedida)

O Blog do Barreto analisou os programas dos três principais candidatos ao Governo do RN. O primeiro dos documentos analisados foi o de Allyson Bezerra (UB), que apresentou um programa estruturado em 167 propostas e distribuído por 11 áreas . 

O modelo de governo apresentado por Allyson Bezerra para o Rio Grande do Norte tem como principal marca a tentativa de combinar equilíbrio fiscal, estímulo à iniciativa privada e ampliação das políticas sociais. Ao todo, o documento reúne 167 propostas distribuídas em áreas como gestão, economia, saúde, educação, segurança, infraestrutura, agricultura, turismo e assistência social.

Allyson defende um governo que reduza burocracias, ofereça segurança jurídica e facilite a instalação de empresas, mas sem abandonar o papel do Estado na prestação de serviços e na realização de investimentos.

A primeira medida prometida é uma radiografia das contas estaduais, incluindo dívidas, contratos, folha de pagamento, previdência, obras, hospitais e escolas. O objetivo seria reorganizar as finanças, recuperar a capacidade de investimento e garantir previsibilidade no pagamento de servidores e fornecedores.

Na área econômica, Allyson propõe acelerar a análise de licenciamentos ambientais, simplificar a abertura de empresas e criar uma espécie de porta de entrada para investidores. O programa aposta em energias renováveis, petróleo, gás, mineração, terras raras, data centers, inteligência artificial e economia do mar. Também prevê crédito e maior participação de pequenos negócios e agricultores nas compras governamentais.

Na saúde, as principais promessas são reduzir as filas de consultas, exames e cirurgias, fortalecer hospitais regionais, ampliar policlínicas e criar referências regionais de UTI pediátrica. O plano também prevê a requalificação do Hospital Walfredo Gurgel e a integração digital de prontuários, farmácias, laboratórios e regulação.

Para a educação, são prometidos material escolar, fardamento, tênis, mochila, climatização e reforma das escolas. Allyson também afirma que pretende manter as progressões dos professores em dia, cumprir o piso salarial, fortalecer a UERN e oferecer bolsas mensais para estudantes de baixa renda.

Uma das controvérsias está justamente nos critérios dessa bolsa. O benefício seria condicionado à matrícula, frequência, vacinação, permanência e “bom comportamento”, expressão que o documento não define e que pode abrir espaço para avaliações subjetivas.

Na segurança, o programa aposta na integração das forças policiais e no uso de videomonitoramento, drones e reconhecimento facial. Embora mencione proteção de dados e supervisão humana, não explica como funcionariam as auditorias, o armazenamento das imagens ou a responsabilização em casos de identificações equivocadas.

O plano também apresenta uma extensa lista de obras, como a construção da terceira ponte sobre o Rio Potengi, recuperação de rodovias, duplicação do acesso à Praia da Pipa, modernização dos portos de Natal e Areia Branca, ampliação de adutoras, saneamento e sistemas de dessalinização. Algumas dessas ações preveem a participação da iniciativa privada.

Há propostas para pessoas com deficiência e autismo, mulheres vítimas de violência, agricultores familiares, comunidades tradicionais, combate à fome, habitação e fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social.

A principal fragilidade do programa é a falta de detalhamento financeiro. O próprio texto reconhece que o Estado enfrenta um saldo negativo superior a R$ 3 bilhões, mas não informa quanto custariam as obras, bolsas e novos programas, nem apresenta um cronograma de execução.

Também não está claro como Allyson pretende reduzir o déficit da previdência estadual. O documento promete preservar direitos e garantir o pagamento dos benefícios, mas não apresenta as medidas que seriam adotadas.