A eleição suplementar de São Miguel do Gostoso, marcada para 6 de dezembro, terá um ingrediente político que ultrapassa os limites do município do Litoral Norte potiguar. A candidata do PT, Katiana de Lula, vai testar a eficácia do uso do nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como identificação eleitoral em uma disputa municipal.
A estratégia já foi utilizada com sucesso nas eleições estaduais de 2026. Cadu de Lula foi eleito governador do Rio Grande do Norte com 50,77% dos votos válidos no segundo turno, enquanto Samanda de Lula conquistou uma das duas vagas para o Senado, com 635.924 votos.
Embora não seja possível atribuir as vitórias exclusivamente à adoção do nome do presidente, a identificação com Lula foi uma das marcas das campanhas dos dois petistas.
Agora, a candidatura de Katiana de Lula representa uma oportunidade de observar como essa associação funciona numa eleição para prefeito, marcada por fatores diferentes daqueles que predominam nas disputas estaduais e nacionais.
O desafio é significativo. Apesar da força eleitoral do PT nas eleições para presidente e governador no Rio Grande do Norte, o partido enfrenta dificuldades históricas para transformar essa popularidade em conquistas de prefeituras.
Em 2024, por exemplo, o PT elegeu apenas sete prefeitos entre os 167 municípios potiguares. O desempenho, embora superior às três prefeituras conquistadas em 2020, revela a distância entre a presença do partido nas disputas majoritárias estaduais e sua capacidade de conquistar o poder municipal.
É justamente esse cenário que torna a eleição de São Miguel do Gostoso um laboratório político para 2028.
Nas disputas municipais, a identificação partidária e a popularidade de lideranças nacionais dividem espaço com questões como a avaliação dos serviços públicos, a influência de lideranças locais, as alianças políticas e as relações pessoais entre candidatos e eleitores.
Em São Miguel do Gostoso, Katiana de Lula, que tem como candidato a vice-prefeito o ex-vereador Jubenick Pereira (Solidariedade), enfrentará Jean dos Morros (PSD), atual prefeito interino, que disputa a eleição ao lado de Tiquinho dos Anjos (Novo).
A eleição suplementar foi convocada após a cassação dos mandatos do prefeito e do vice-prefeito eleitos em 2024, em decorrência de irregularidades reconhecidas pela Justiça Eleitoral.
O resultado de dezembro poderá oferecer elementos para avaliar a capacidade de transferência da popularidade de Lula para candidaturas petistas municipais, sem desconsiderar as particularidades da disputa local.
Para o PT potiguar, que chega ao fim de 2026 com a Presidência da República, o Governo do Estado e uma cadeira no Senado, o próximo desafio eleitoral será ampliar sua presença nas prefeituras em 2028.
Nesse contexto, São Miguel do Gostoso será uma das primeiras oportunidades de observar, nas urnas, se a fórmula “de Lula”, adotada por Cadu e Samanda, também encontra espaço nas eleições municipais.
