Styvenson Valentim: de autor de PEC contra o nepotismo a defensor da prática

Em Julho de 2019 Styvenson fazia pronunciamento contra o nepotismo. Ficou no passado (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

O senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) voltou atrás em tudo o que pensava sobre nepotismo. Pelo menos foi o que ele declarou em entrevista ontem (20) ao programa Meio Dia RN, da 96 FM.

Questionado sobre a possibilidade de escolher a própria irmã, Anne Kelly Valentim, para ocupar a suplência de sua candidatura ao Senado, o parlamentar não negou o rumor e aproveitou para afirmar que havia reavaliado sua posição acerca da prática de nepotismo na administração pública. 

Eu criticava mesmo a questão como algo que é nocivo e que hoje eu vejo que não é tanto, que é a questão do nepotismo (…) Se você tiver uma pessoa na sua família que trabalhe bem, quer dizer que não pode ser empregada no setor público?” ”, questionou. 

A mudança na postura de Styvenson chama a atenção,  uma vez que sua atuação política sempre esteve associada a um discurso de forte apelo moralizador, baseado no combate à corrupção, aos privilégios políticos e ganha contornos ainda mais contraditórios quando comparada à conduta do próprio Styvenson no início do mandato.

Em 2019, poucos meses depois de chegar ao Senado, o parlamentar apresentou a Proposta de Emenda à Constituição nº 120, destinada a ampliar e constitucionalizar a proibição do nepotismo em toda a administração pública. A proposta pretendia impedir a nomeação de cônjuges e parentes para cargos comissionados ou funções de confiança e recebeu a assinatura de 41 senadores.

Naquele momento, Styvenson defendia que era necessário acabar com qualquer brecha que permitisse a contratação de parentes por autoridades. A iniciativa, segundo a própria Rádio Senado, era apresentada pelo parlamentar como uma resposta à exigência de “moralidade pública” feita pela população.

” Eu quero cortar. Eu quero acabar com isso. Nem filho, nem neto, nem ninguém (…) agora é de vez, é na Constituição mesmo. Se existe alguma brecha, se existe alguma possibilidade, é extrair toda e qualquer oportunidade para que isso aconteça”, era o que, o então novato Styvenson, defendia em 2019.

Sete anos depois, o senador passou a sustentar justamente o argumento tradicionalmente usado para relativizar o nepotismo: o de que parentes também podem ser competentes e, por isso, não deveriam ser impedidos de ocupar espaços no poder público.