A democracia de Girão e a nova política com cheiro de mofo

General finalmente manda recado direto para intervencionistas ...
A democracia de Girão exclui o contraditório (Foto: Web/Autor não identificado)

“É democracia, não é patifaria”, foi com essa frase de efeito que o deputado federal General Girão (PSL) justificou ao Blog do Magnos (ver AQUI) a nomeação do professor Josué Moreira (PSL) como reitor pró-tempore do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).

Ontem as críticas foram direcionadas a Josué pela perplexidade que causou o envolvimento do ex-candidato a prefeito de Mossoró de perfil moderado numa subversão da ordem democrática.

Mas não podemos deixar de lembrar que sem o General Girão não haveria a nomeação de um reitor sem votos para comandar o IFRN. Sem o líder do bolsonarismo no Rio Grande do Norte a votação não seria ignorada.

O deputado Girão tem uma visão bem peculiar da democracia. Manifestação só vale se for a que ele concorda. Posição política só se for a dele. Escola sem partido, mas o dos outros. Ideologia só se for a dele.

Girão é um saudosista do regime de 1964. Daí a sua nova política ter um forte cheiro de mofo.

Nos primeiros dias após o golpe militar centenas de políticos foram cassados. Aqui no Rio Grande do Norte o prefeito de Natal Djalma Maranhão foi tirado na marra do Palácio Felipe Camarão.

Qualquer motivo servia para cassar políticos adversários. Aluízio Alves, um entusiasta do golpe, foi cassado.

Como nos anos de chumbo ontem a sociedade potiguar assistiu um golpe ser dado no IFRN impedindo a posse do reitor eleito democraticamente José Arnóbio de Araújo Filho. A desculpa é que ele responde a um processo administrativo por causa de uma banquinha Lula Livre colocada por alunos num evento realizado pela Igreja Católica nas dependências do Campus de Natal.

Não me venham com a desculpa foi essa. A questão é que o reitor escolhido pela comunidade acadêmica não era o do agrado do bolsonarismo.

A questão é política! Os frágeis argumentos jurídicos são apenas uma cortina de fumaça.

Desde que assumiu a presidência Jair Bolsonaro, um notório defensor da Ditadura Militar, passou a não respeitar a ordem de votação dos reitores das universidades federais. No IF de Santa Catarina foi feito algo semelhante ao que aconteceu no Rio Grande do Norte, mas o escolhido recusou o convite e defendeu a nomeação do mais votado.

O que aconteceu nas terras de Poti não foi uma exceção provocada por algum entrave jurídico como alegam, mas a regra do bolsonarismo para eliminar a tradição democrática do nosso ensino superior.

A democracia de Girão é peculiar como a dos generais da ditadura que discursavam em favor da democracia enquanto tomavam atitudes autoritárias e estimulavam a tortura. A nova política do deputado tem o mofo do autoritarismo.

Compartilhe:

Comments

comments

7 opiniões sobre “A democracia de Girão e a nova política com cheiro de mofo

  • 21 de abril de 2020 em 12:50
    Permalink

    O Josué Moreira, era um bom candidato a prefeito e político, quando servia as esquerdas. Hoje é consirados por elas, esquerdas, como um reacionário. Essa gente de esquerda todo mundo sabe qual os seus comportamentos, é de qualificar a quem não atende seus interesses e objetivos, tenta desqualificar.

    Resposta
    • 21 de abril de 2020 em 13:28
      Permalink

      Para a esquerda, qualificado é quem disputa eleição e ganha. Para a direita, qualificado é o que mesmo? Não entendi muito bem sua definição

      Resposta
    • 21 de abril de 2020 em 15:48
      Permalink

      Sou de esquerda (ou melhor, sou marxista) e não sei se o Josué Moreira era ou não um bom candidato nas eleições municipais passadas. Hoje, se aceitar (parece que sim) uma nomeação biônica para reitor do IFRN, que se apresenta como uma burla ao pleito democrático, não deveria ter mais respeito de quem preza a democracia, a eleição e o voto. Obviamente, ao revés, terá o apreço de quem não gosta da democracia, de quem adora torturadores e regimes autoritários, de alguém que segue, insanamente, um sujeito que não tem nem a dignidade de mostrar ao povo seu exame, para se saber se ele espalha ou não a covid-19.

      Resposta
      • 21 de abril de 2020 em 18:00
        Permalink

        Josué Moreira, virou reitor do IFRN, Jessé, sem ser votado. Entendeu? Ele nem participou do processo democrático. E mais: Nunca serviu a esquerda. Nem aqui(País de Mossoró) e alhures;

        Foi oportunista e está se mostrando carreirista, na política partidária e institucional. Filiou-se ao PSL em Dezembro de 2018, depois de Bolsonaro eleito. E agora, torna-se reitor biônico com o apadrinhamento de um Militar. As vezes, que disputou a Prefeitura de Mossoró foi pelo PSDC, um Partido de direita, que nacionalmente é presidido por José Maria Eymael. Atualmente a sigla atende pelas letras DC – Democracia Cristã. Olvidar eu não consigo, duas coisas, nos debates para eleição municipal de 2016:

        1 – O Professor Josué defendendo eleições diretas para Diretores das Escolas Municipais;

        2 – Ele dizendo que se sentia lisonjeado ao participar de um debate com Rosalba Ciarlini, pois a considerava “um MITO” da política mossoroense.

        Agora, o jovem professor, vira reitor, com as bençãos de outro MITO!

        Resposta
        • 21 de abril de 2020 em 18:41
          Permalink

          Sim, amigo, conheço o processo. Inclusive conversei com pessoas ligadas ao sindicato dos professores do IFRN e sei que o reitor “pro tempore” é, na verdade, um interventor. E isso, ademais do rechaço jurídico que tal medida antidemocrática deve sofrer (espero), há que receber toda revolta política das pessoas que lutam contra o estado de exceção e por mais democracia, em nosso Estado. Tomei conhecimento do conteúdo do ato administrativo que nomeou o reitor biônico e impediu a nomeação do reitor democraticamente eleito pela comunidade e compreendo que ele é NULO, pleno iure, porque não motivado. Mais de uma vez, eu, como juiz, já decidi que atos administrativos tão só formalmente motivados são nulos por falta de motivação: os atos jurídicos vinculados devem ser MATERIALMENTE MOTIVADOS. E o ato administrativo sob análise não é motivado porque justifica o impedimento à nomeação do eleito em razão de “atos sigilosos”. Esconder o conteúdo de determinados atos fundamentais numa motivação, por serem supostamente “sigilosos”, é tratá-los como SECRETOS, algo próprio de um ESTADO DE EXCEÇÃO. Um processo administrativo, em que sempre se deve dar ao processado o direito à ampla defesa e ao contraditório, no qual a motivação é sigilosa também para o processado ou para o atingido pelo ato (e aqui o reitor é atingido pelo ato que impediu sua nomeação), o ato passa a ser, kafkianamente, secreto, algo inimaginável em um país democrático. Ou a Justiça rechaça essa violação às regras democráticas, ou cairá num completo descrédito! Fiz parte da luta estudantil e briguei, nas ruas, para o restabelecimento da democracia no país, assim como pela autonomia da Escola Técnica Federal do Ceará (hoje IFCE), em que estudei. Se depender de mim, como cidadão, estarei na luta pelo restabelecimento das regras democráticas e contra o estado de exceção que fascistas querem impor em meu país. Ditadura e estado de exceção NUNCA MAIS!

          Resposta
  • 21 de abril de 2020 em 14:48
    Permalink

    Está claro que a decisão do Governo na escolha do Reitor, foi antidemocrática. Desrespeitou a legítima escolha democrática. Josué não foi obrigado a aceitar. Não terá mais a minha admiração como politico que o é.

    Resposta
  • 21 de abril de 2020 em 16:18
    Permalink

    Deve ser respeitada a eleição democrática realizada. Vergonha e ter quem aceite ser indicado em uma situação dessas.

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *