Domingo, dia de futebol: “o vexame de 54”

27 de Julho de 1954 - Copa do Mundo - Brasil 2 x 4  Hungria Da esquerda para a direita: Índio, Didi, Humberto Tozzi, Maurinho, Djalma Santos, Brandãozinho, Nílton Santos, Pinheiro, Julinho Botelho, Castilho, Bauer e Mário Amércio (massagista).
27 de Julho de 1954 – Copa do Mundo – Brasil 2 x 4 Hungria Da esquerda para a direita: Índio, Didi, Humberto Tozzi, Maurinho, Djalma Santos, Brandãozinho, Nílton Santos, Pinheiro, Julinho Botelho, Castilho, Bauer e Mário Amércio (massagista).

Por Gustavo Azevedo

O Brasil partiu confiante para a Copa do Mundo da Suíça em 1954. Um otimismo que, no fim, se mostrou exagerado. Apesar da vitória fácil na estreia, um contundente 5×0 no México, a segunda partida ficou, sem a menor necessidade, dramática. Tudo porque um simples empate classificava as duas equipes. Só que os brasileiros não sabiam disso. Os iugoslavos até gesticulavam, pedindo calma, mas os brasileiros não entendiam e partiam para o ataque tentando uma vitória a qualquer custo. Quando o juiz apitou todos choraram e somente horas depois é que a comissão técnica descobriu que o time estava classificado. Moralmente destroçado, o time partiu para enfrentar a seleção magiar, os mágicos húngaros comandados por Puskas (que não jogou), até então a melhor seleção daquela copa.

Antes do início da partida, o vestiário do Brasil foi invadido por dirigentes dispostos a estimular o time com exortações patrióticas. O Senador da República, João Lira Filho, fez um discurso onde comparava os jogadores aos inconfidentes mineiros e, desfilando com uma bandeira usada pela Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial, obrigou os jogadores a beijarem a bandeira. O time entrou em campo com os nervos a flor da pele e o jogo ficou conhecido como a Batalha de Berna, por conta das expulsões e brigas. Numa delas, o jornalista Paulo Planet Buarque invadiu o gramado para dar rasteira nos policiais, em outra, foi a vez do técnico Zezé Moreira dar uma chuteirada na cara do Ministro dos Esportes húngaro, Gustav Sebes. Na bola, entretanto, perdemos por 4×2, com gols de Hidegkut, Kocsis (2) e Lantos para a Hungria e Djalma Santos e Julinho Botelho para o Brasil. Apesar disso, três brasileiros saíram consagrados como os melhores do mundo em suas posições: os laterais Djalma e Nilton Santos e o ponta-direita Julinho Botelho.

A semântica do vexame de 54 se perdeu 60 anos depois, na Copa do Mundo do Brasil de 2014. A goleada imposta pelos alemães por 7x1representou a derrota mais expressiva em 100 anos de história da seleção brasileira de futebol, igualando a diferença de gols do jogo Uruguai 6×0 Brasil pela Copa América de 1920. Foi a maior derrota de um campeão mundial em toda a história e o maior revés em uma semifinal em todas as edições de uma Copa do Mundo, mas isso é outra história…

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