A reforma da previdência e a contradição de cada um

Com rombo de R$ 120 milhões/mês (números atualizados) a previdência estadual quebrou. Hoje são mais inativos que ativos, o que torna impossível não reforma-la. A questão é: qual reforma é possível?

Há dois anos o então governador Robinson Faria (PSD) propôs uma reforma que aumentava a alíquota de forma linear para todas as categorias. Na época considerei a proposta injusta porque prejudica quem ganha menos. O correto, em minha opinião, é quem ganha mais paga mais.

A previdência estadual do Rio Grande do Norte sempre foi uma farra. Até 2005, não existiam contribuições com foco em aposentadoria. Resultado: temos cerca de 40 mil inativos que nunca contribuíram. Os dados são do presidente do Instituto de Previdência do RN (IPERN), Nereu Linhares.

Não existe reforma boa quando o assunto é previdência. A tendência é que sempre piore. Nenhum governante quer mexer nesse vespeiro que atiça a ira dos sindicatos e abre margem para a oposição surfar.

Quando começou a atrasar salários em 2013, a então governadora Rosalba Ciarlini (na época filiada ao DEM) preferiu sacar recursos do Fundo Previdenciário. Passou um ano tentando até conseguir no final de 2014. Quando entregou o Governo a Robinson ela já tinha sacado R$ 205 milhões. O sucessor seguiu mexendo no dinheiro dos inativos até quando pôde.

Hoje não temos os recursos de antes no fundo previdenciário. É reforma ou mais rombo.

O servidor penalizado com salários atrasados vai pagar uma conta que não é dele.

O engraçado nesta história é que temos muitas contradições de lado a lado. O PT foi contra reformar a previdência em nível estadual, mas no Ceará o governador Camilo Santana (PT) fez. Agora Fátima Bezerra (PT) é obrigada a fazer o mesmo para conter a sangria.

Na outra ponta temos a direita que apoiou a reforma de Jair Bolsonaro, cobrou que uma reforma no Rio Grande do Norte fosse feita e quando teve sua reivindicação atendida faz um duplo twist carpado discursivo para acusar a governadora de trair os servidores.

Se antes a governadora era acusada de não fazer a reforma por ideologia, agora é acusada de traidora pelos mesmos que cobravam medidas duras na previdência. Focar apenas nisso além de incoerente soa oportunista.

A realidade se impôs ao Governo e se a oposição tinha razão deveria agora celebrar.