Por Alisson Almeida, da Agência Saiba Mais
A orla de Ponta Negra, onde foi realizada a obra da engorda para alargar a faixa de areia, voltou a registrar alagamentos após as chuvas que começaram a ocorrer desde a noite de segunda-feira (19) em Natal. Na manhã desta terça-feira (20), foi possível constatar que havia água acumulada por quase toda a extensão da praia, considerada o maior cartão-postal da capital potiguar.
No dia 14 de março, após uma madrugada de fortes chuvas na capital, a faixa de areia voltou a amanhecer alagada, mesmo depois do anúncio da conclusão das obras de drenagem, oficialmente entregues em 28 de fevereiro pela Prefeitura de Natal.
A Secretaria de Infraestrutura de Natal (Seinfra) anunciou, à época, que havia instalado 16 dissipadores de energia para “controlar a vazão das águas das chuvas”. A própria pasta, no entanto, admitiu que novos alagamentos não estavam descartados, mas que as poças de água se “infiltrarão mais rapidamente”.
O projeto da engorda abrange uma área de 4,6 km, que começa na Via Costeira, onde estão os maiores hotéis de luxo da cidade, indo até o Morro do Careca. Foi usado aproximadamente 1,3 milhão de metros cúbicos de areia para alargar a faixa de areia da praia.
A obra, embora seja considerada necessária para conter o avanço das marés e evitar a erosão do Morro do Careca, tem recebido críticas pela forma como foi realizada, sem a inclusão do projeto de drenagem.
Um relatório da Defesa Civil Nacional, financiadora do aterro hidráulico, apontou que a engorda não poderia ter sido concluída antes da finalização da drenagem.
“O aterro hidráulico só deverá ser iniciado após a finalização dos dissipadores e demais estruturas de drenagem previstas para área”, diz trecho do documento, divulgado no início de novembro passado, após vistoria feita entre 23 e 25 de outubro de 2024.
A realização das obras de drenagem também havia sido uma das condições exigidas pelo Idema (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente) para emitir a licença ambiental para o início da engorda.
A Prefeitura de Natal, no entanto, ainda na gestão do ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos), obteve uma decisão judicial obrigando o órgão estadual a conceder a liberação, além de impedi-lo de fiscalizar a construção do aterro hidráulico.
