A história republicana brasileira tem uma clara dicotomia entre quem deu golpe e quem resistiu, quem comandou ditadura e quem enfrentou o autoritarismo.
Após a redemocratização em 1985, apesar de suas turbulências, parecia que o Brasil enfim tinha abraçado a normalidade democrática com presidentes eleitos recebendo as faixas para os antecessores sem maiores traumas.
O que parceria uma democracia sólida, hoje está resistindo aos solavancos institucionais com a ascensão do fascismo à brasileira do Século XXI: o bolsonarismo.
Um ex-deputado federal do baixo clero, que emergiu à popularidade participando de programas de auditório, Jair Bolsonaro (PL) foi eleito presidente em 2018 apostando num discurso autoritário de enfrentamento as instituições democráticas.
Durante a campanha eleitoral, os setores conservadores e liberais da sociedade diziam que ele seria domado.
Os fatos mostraram que não há como domesticar um fascista. A história já mostrava que os conservadores e liberais alemães e italianos fizeram a mesma aposta com Adolf Hitler e Benito Mussolini.
As consequências foram desastrosas.
No Brasil a síntese do desastre pode ser representada nas mais de 700 mil mortes na pandemia sem punição ao presidente que dificultou a compra das vacinas e fez o que pode para atrapalhar as medidas necessárias para sobrevivermos ao vírus da covid 19.
Além disso, Bolsonaro desmantelou programas sociais e o arcabouço institucional nomeando reitores que não foram os mais votados pela comunidade acadêmica e colocando na Procuradoria Geral da República um capacho como Augusto Aras, para citar dois exemplos.
Apesar de todas as trapaças dignas de um Dick Vigarista, vilão do desenho “Corrida Maluca”, Bolsonaro perdeu a eleição e ao ser derrotado tentou golpear a democracia.
Fora do poder segue minando a democracia brasileira sem medir esforços, inclusive clamando por uma intervenção estrangeira no Brasil.
Mas os setores conservadores e liberais seguem minimizando e abraçando teses de que o ministro do STF Alexandre de Moraes exagera nas decisões mesmo com Bolsonaro gabaritando todos os requisitos de uma prisão preventiva.
Bolsonaro nunca foi domado porque o fascismo não se domestica, se enfrenta e derrota.
No dia 8 de janeiro de 2023 houve uma tentativa de golpe de estado fracassada. Até hoje não se cogitou punir nenhum dos parlamentares que incentivaram a depredação da nossa democracia.
Nomes como o deputado federal mineiro Nikolas Ferreira (PL) estão em ascensão e pavimentam o caminho do futuro do bolsonarismo sem Bolsonaro. Esta semana eles tentaram humilhar o poder legislativo para impor a anistia a Bolsonaro e o impeachment de Alexandre de Moraes.
Antes, outras atrocidades já tinham sido cometidas sempre com o sabor de impunidade.
Bolsonaro até o fim do ano será um ex-presidente condenado por golpe de estado, mas os seus substitutos do presente e do futuro estão conquistando capital político.
Os conservadores e liberais seguem acreditando que poderão domar os fascistas, mas o fascismo não negocia. O fascismo não aceita abrir mão de nada. Eles querem se impor no grito.
Em 1999 Bolsonaro disse a ditadura errou por não ter matado uns 30 mil, fez apologia a tortura e pregou a morte do então presidente Fernado Henrique Cardoso. A turma do “deixa disso” conservadora e liberal agiu para que a fala autoritária não tivesse consequências.
Bolsonaro 20 anos depois era presente da República sem nunca largar as ambições golpistas.
A impunidade conta com o apoio dos conservadores e liberais de frágeis convicções democráticas acreditam que vão se beneficiar dos votos bolsonaristas.
Graças a isso, o bolsonarismo não é isolado por mais que faça por onde. Graças a isso, o bolsonarismo não é punido pelas suas atrocidades contra o país.
O bolsonarismo precisa ser isolado politicamente e punido.
A história está gritando em tom de alerta!
