Um movimento nos bastidores da política potiguar estaria prestes a provocar turbulência dentro do governo Fátima Bezerra (PT). Segundo fontes próximas às articulações, o ex-prefeito de Patu, Rivelino Câmara — alvo de ação do Ministério Público que pede sua condenação 226 vezes por improbidade administrativa — estaria exigindo do vice-governador Walter Alves (MDB) a abertura de um espaço estratégico na Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (SETHAS).
A suposta manobra teria duplo objetivo: ampliar a influência do MDB no governo estadual em detrimento ao PT e permitir que Rivelino, mesmo fora de mandato, retome força política para retaliar adversários. Os alvos seriam tanto integrantes da oposição em Patu quanto antigos aliados hoje ligados ao atual prefeito, Dr. Ednardo Moura (MDB).
De acordo com interlocutores, a negociação incluiria a nomeação de pessoas de confiança de Rivelino em cargos estratégicos da pasta, que administra programas sociais e tem presença direta em municípios do interior. Tal medida poderia fortalecer o ex-prefeito na disputa local e enfraquecer rivais, especialmente em ano pré-eleitoral.
A operação, se confirmada, colocaria a governadora Fátima em uma posição delicada. Ao ceder espaço a um político com esse histórico processual, ainda que por indicação do vice, o governo correria o risco de minar seu discurso histórico de combate à corrupção e de gestão ética. Além disso, a eventual ascensão de Rivelino ao comando indireto de uma secretaria sensível geraria desgaste junto à base social que a reelegeu.
Walter Alves, por sua vez, ficaria no centro de um jogo perigoso: atender à pressão de um aliado controverso ou preservar sua imagem de liderança moderada dentro do MDB, em relação a Ednardo Moura. Para observadores da cena política, a eventual concessão à demanda de Rivelino poderia ser interpretada como um gesto de gratidão ou lealdade pessoal, mas também como sinal de que velhas práticas de troca de cargos por poder continuam vivas no RN.
Nos corredores da Assembleia Legislativa, já se comenta que a movimentação teria potencial para desencadear novas crises no governo e alterar o tabuleiro político em Patu. “Se essa articulação se concretizar, não vai faltar munição para a oposição e para quem deseja desgastar, ainda mais, a governadora e seus aliados no Alto Oeste. Ninguém gosta de Rivelino.”, avaliou um analista político ouvido pela reportagem.
Até o momento, nem o governo estadual, nem Walter Alves, nem Rivelino Câmara se pronunciaram oficialmente sobre o assunto.
