Se os cachês de Wesley Safadão e Luan Santana saltam aos olhos, os bastidores dos eventos escondem uma conta igualmente robusta. Em 2025, estima-se que as prefeituras do RN gastaram cerca de R$ 77 milhões apenas com infraestrutura (palcos, iluminação, geradores e camarotes), elevando o custo total da “indústria da festa” no estado para a casa dos R$ 270 milhões.
A Proporção: Cachê vs. Estrutura
Na maioria dos grandes eventos potiguares, a regra de mercado observada em 2025 foi a seguinte: para cada R$ 1,00 pago ao artista, a prefeitura gasta, em média, R$ 0,40 para viabilizar a apresentação.
O exemplo do show mais caro de 2025:
| Item de Gasto | Valor Médio (Grande Porte) | Exemplo de Mossoró
(Estimativa) |
| Cachê Artístico | R$ 1.100.000 | Wesley Safadão (Mossoró) |
| Estrutura (Palco/Som/Luz) | R$ 320.000 | Palco Principal Estação das Artes |
| Logística (Segurança/Limpeza) | R$ 120.000 | Operação de apoio ao show |
| Custo Total por Data | R$ 1.540.000 | Valor final para os cofres públicos |
Os Gigantes da Infraestrutura em 2025
- Mossoró: Líder absoluta. Além dos R$ 25,7 milhões em cachês, a montagem da “Cidade Junina” envolveu contratos de locação que ultrapassaram os R$ 8 milhões.
- Natal: O “Natal em Natal” e o São João na Arena das Dunas demandaram estruturas monumentais. A prefeitura da capital investiu cerca de R$ 6,5 milhões em montagens temporárias ao longo do ano.
- Carnavais Regionais (Apodi e Macau): Em cidades onde o evento é de rua e dura vários dias, o custo da estrutura chega a ser superior ao dos cachês, devido à necessidade de trios elétricos, arenas de “mela-mela” e grandes contingentes de segurança privada.
O Levantamento: Gastos Totais por Categoria (RN 2025)
Com base nos pregões eletrônicos e registros de preços consolidados:
- Locação de Palcos e Estruturas Metálicas: R$ 32 milhões
- Sistemas de Som e Iluminação (Rider Técnico): R$ 24 milhões
- Banheiros Químicos e Limpeza Pós-Evento: R$ 9 milhões
- Segurança Privada e Gradis: R$ 12 milhões
O Alerta do Ministério Público (MPRN)
Em março de 2025, uma Nota Técnica Conjunta orientou os gestores a separar rigorosamente os custos. O MP identificou que algumas prefeituras tentavam incluir custos de “transporte e hospedagem” dentro dos cachês de inexigibilidade para evitar licitações de logística, o que é vedado por lei.
“O cidadão vê o artista no palco, mas muitas vezes não percebe que o custo do palco, do som e do gerador pode, em alguns casos, dobrar a conta final da festa”, afirma um técnico do TCE-RN.
A conta final de 2025
Somando os R$ 192 milhões em cachês (dados oficiais do Painel Festejos) aos aproximadamente R$ 77 milhões em infraestrutura e logística, o Rio Grande do Norte termina 2025 com um investimento total em eventos que beira os R$ 270 milhões.
Isso representa uma média de R$ 1,6 milhão por município, embora cidades como Mossoró e Natal concentrem fatias desproporcionais desse montante.
