O levantamento detalhado dos gastos com eventos bancados por prefeituras em 2025 feito pelo Blog do Barreto revela que a Região Oeste foi a grande locomotiva do entretenimento potiguar, concentrando a maior parte dos R$ 192 milhões investidos em cachês pelas prefeituras.
A análise por região geográfica mostra que o investimento segue o calendário das tradições: enquanto o Oeste foca no gigantismo junino, por exemplo, o Seridó aposta na eficiência do Carnaval e das festas de padroeiros.
📊 Balanço Regional: Onde o dinheiro foi investido em 2025
| Região | Investimento Estimado | Principal Polo | Característica do Gasto |
| Oeste Potiguar | R$ 72 milhões | Mossoró / Assú | Grandes eventos juninos e cachês nacionais. |
| Grande Natal / Leste | R$ 54 milhões | Natal / São Gonçalo | São João e o extenso calendário do Natal em Natal. |
| Seridó | R$ 38 milhões | Caicó / Currais Novos | Carnaval e tradições religiosas (Sant’Ana). |
| Agreste / Trairi | R$ 21 milhões | Santa Cruz / Goianinha | Turismo religioso e emancipações políticas. |
| Mato Grande | R$ 7 milhões | Touros / João Câmara | Festas de verão e eventos de médio porte. |
Com R$ 72 milhões investidos, o Oeste Potiguar é a região que mais “exporta” divisas. Mossoró, Assú e Pau dos Ferros formam um triângulo de alta valorização comercial. É nesta região que se concentram os maiores cachês nacionais (como os de Wesley Safadão e Nattan). O custo operacional aqui é o mais alto do estado, mas o retorno em turismo junino justifica o arrojo dos prefeitos, que veem no entretenimento a principal vitrine política e econômica.
A Região Leste, puxada pela capital e cidades da região metropolitana, investiu R$ 54 milhões. O diferencial aqui é a frequência: enquanto o Oeste concentra quase tudo em junho, a Grande Natal mantém eventos de janeiro a dezembro. São Gonçalo do Amarante e Parnamirim também se destacaram em 2025 com festas de padroeiros que rivalizaram em orçamento com o São João da capital.
Apesar de ocupar o terceiro lugar em volume bruto (R$ 38 milhões), o Seridó é a região com a melhor retenção de recursos. Diferente do Oeste, onde o dinheiro vai para fora, no Seridó cerca de 60% da verba permanece na região, pagando bandas de baile, orquestras de frevo e artistas locais como Zezo e Circuito Musical. É a região que entrega a maior festa por metro quadrado com o menor custo por turista.
O Agreste e o Trairi somaram R$ 21 milhões, impulsionados por cidades como Santa Cruz e Goianinha. O foco aqui é o turismo sazonal e religioso. O “custo-benefício” desses eventos é alto, pois atraem um público regional fiel que consome intensamente no comércio local, embora não tenha a mesma projeção turística nacional do Oeste ou do Seridó.
🔍 Conclusão: Um Estado, Duas Realidades
O mapa de 2025 desenha uma divisão clara:
- O Eixo do Espetáculo (Oeste/Leste): Investe alto em nomes de fora para gerar visibilidade nacional.
- O Eixo da Identidade (Seridó/Agreste): Investe no artista local e na tradição para garantir o giro econômico interno.