Operação Mederi: PF e CGU miram desvios na saúde em Mossoró; Allyson é alvo de busca

Foto: reprodução

Em uma ação coordenada no início da manhã desta terça-feira (27), a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a Operação Mederi. O objetivo é desarticular um suposto esquema criminoso especializado em fraudes licitatórias e desvio de recursos públicos federais destinados à rede pública de saúde. Entre os principais alvos de mandados de busca e apreensão está o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil).

As investigações, que contaram com auditorias detalhadas da CGU, revelaram um “modus operandi” centrado no fornecimento de insumos hospitalares e medicamentos. Segundo as autoridades, o esquema envolvia empresas sediadas no Rio Grande do Norte que operavam em diversos municípios.

Os principais pontos de irregularidade identificados foram:

Sobrepreço: Valores de contratos significativamente acima da média de mercado.

Faturamento Fantasma: Pagamentos realizados por materiais que nunca foram entregues às unidades de saúde.

Entrega Inadequada: Fornecimento de insumos que não seguiam as especificações técnicas, comprometendo a qualidade do atendimento público.

Detalhes da Operação

A força-tarefa, que mobilizou mais de 120 policiais federais, cumpriu um total de 35 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal. As diligências ocorreram simultaneamente em:

Mossoró: Residência do prefeito, sede da Prefeitura e Secretarias municipais.

Demais cidades: Natal, Pau dos Ferros, São Miguel, Upanema, Serra do Mel, Paraú e José da Penha.

Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores dos envolvidos para garantir o ressarcimento aos cofres públicos. Até o momento, o alvo principal identificado pelo codinome “Trintinha” nas investigações é um dos focos dos agentes.

Reação do Prefeito

Allyson Bezerra, que lidera as pesquisas para o Governo do Rio Grande do Norte, negou qualquer irregularidade. Por meio de nota assinada pelos advogados Caio Vitor Barbosa e Fabrizio Feliciano, a defesa destacou a inexistência de provas e que a busca se baseou em “diálogos de terceiros” e que não há vínculo direto do prefeito com crimes.

A prefeitura afirma estar colaborando com o fornecimento de todos os documentos solicitados.

Não houve ordem de afastamento do cargo nem medidas de prisão.

Próximos Passos

Os materiais apreendidos — documentos, computadores e dispositivos móveis — serão periciados pela Polícia Federal em Natal. Os investigados poderão responder pelos crimes de:

Peculato (desvio de dinheiro público);

Fraude à licitação;

Organização criminosa.