Allyson afirma que só pode falar por si e declara que descentralizou a gestão dando autonomia aos secretários

Foto: reprodução

Em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal na Operação Mederi, que apura indícios de corrupção e pagamento de propina em contratos públicos, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), foi à bancada do Jornal 96, da 9 FM, para negar qualquer envolvimento em práticas ilícitas.

Em entrevista concedida, o gestor reafirmou sua integridade e detalhou a estratégia de defesa adotada pela administração municipal diante das suspeitas que pairam sobre a prefeitura.

Allyson buscou desvincular sua imagem de quaisquer irregularidades financeiras. Durante sua fala, o prefeito destacou que nunca solicitou ou recebeu vantagens indevidas, estendendo essa postura a pessoas próximas de seu círculo político.

“Eu nunca recebi, pedi qualquer tipo de vantagem, qualquer tipo de valor. Nunca tive qualquer tipo de diálogo com essas pessoas envolvendo esse tipo de recurso”, declarou.

O prefeito informou ainda que a gestão se antecipou aos prazos judiciais, entregando toda a documentação solicitada pela Polícia Federal às 9h40 da manhã de hoje (28/01/2026), reafirmando sua confiança na justiça.

A “Matemática de Mossoró”: Descentralização como escudo

A principal estratégia de defesa política de Allyson reside em reverter para seu favor o estigma da “Matemática de Mossoró”, um dos pontos mais sensíveis dos diálogos que sugerem pagamento de propina ao gesto.

Segundo o prefeito, uma mudança na legislação municipal aprovada em agosto de 2021 retirou das mãos do chefe do Executivo o papel de ordenador de despesas.

Modelo Antigo Modelo Allyson Bezerra (Pós-2021)
Prefeito ordenava todas as despesas. Secretários municipais são os ordenadores.
Prefeito licitava, pagava e assinava. Atos de licitação e pagamento são descentralizados.
Centralização de decisões financeiras. Responsabilidade jurídica dividida por pastas.

Bezerra argumenta que essa estrutura garante que ele não tenha controle direto sobre a “caneta” que autoriza pagamentos e contratos, o que, em sua visão, o isenta de responsabilidade direta sobre eventuais desvios em secretarias específicas.

Contexto da Investigação

A Operação Mederi investiga um suposto esquema de favorecimento em contratos públicos que envolveria o recebimento de valores retroativos (propina) em troca de benefícios em licitações dentro da prefeitura de Mossoró.

A investigação da Polícia Federal foca agora no cruzamento de dados bancários e nos depoimentos de empresários e servidores para determinar se a descentralização administrativa citada pelo prefeito foi, de fato, um mecanismo de transparência ou se serviu para camuflar fluxos financeiros irregulares.