Além de Mossoró, que a Operação Mederi encontrou em outras cinco cidades?

Foto: reprodução

Embora os holofotes tenham se voltado para a residência do prefeito Allyson Bezerra (UB) em Mossoró, os autos da Operação Mederi revelam um cenário de corrupção sistêmica que se infiltrou em pelo menos outras cinco prefeituras da região Oeste e Vale do Assu. As cidades de Serra do Mel, Tibau, Paraú, São Miguel e José da Penha não foram apenas “citadas”, mas serviram de palco para o que a Polícia Federal (PF) descreveu como uma rede de “faturamento fantasma” e “logística de propina”.

O elo comum entre todas as cidades era a empresa DISMED e sua rede de apoio, como a Drogaria Mais Saúde. Sob o comando do empresário Oseas Monthalggan, o grupo operava a “Matemática do Município”.

Interceptações telefônicas revelaram que o esquema funcionava sob demanda: as prefeituras emitiam ordens de compra vultosas, as empresas entregavam apenas uma fração dos medicamentos (ou nenhum, no caso do “faturamento fantasma”) e o saldo restante era convertido em dinheiro vivo para pagamento de agentes públicos, segundo a Polícia Federal.

O que foi descoberto até agora nas outras cidades?

Serra do Mel

Foi o município com a maior densidade de alvos no primeiro escalão. A PF e a CGU focaram na Secretaria de Saúde, onde a secretária Anacélia Freitas e assessores foram alvo de buscas.

Diferente de Mossoró, onde a defesa alega “diálogos de terceiros”, em Serra do Mel a CGU encontrou discrepâncias físicas: o sistema apontava a entrada de medicamentos de alto custo que nunca foram localizados nas prateleiras da farmácia central. Um empresário local foi preso por posse ilegal de arma durante as buscas.

São Miguel

Em São Miguel, a investigação atingiu o Chefe de Gabinete, Lincoln Micaele. O prefeito Leandro Rego (UB) tentou desvincular a imagem da gestão atual, afirmando que os contratos eram “heranças administrativas”. Contudo, a PF apura se houve direcionamento de editais recentes, criados com cláusulas específicas para beneficiar apenas as empresas do núcleo de Oseas Monthalggan.

José da Penha

Neste município, a PF levou documentos da prefeitura e da casa da Secretária de Saúde, Thaciane Maria.

A auditoria da CGU identificou que itens básicos de saúde tinham preços até 40% superiores à média de mercado. A prefeitura recebeu um ultimato de 30 horas para entregar cópias integrais dos processos de pagamento, sob risco de intervenção judicial.

Paraú

O prefeito Júnior Evaristo (PP) confirmou a operação na cidade. Aqui, a suspeita recai sobre contratos de 2024 e 2025. A PF investiga se a prefeitura realizava pagamentos por lotes de medicamentos que constavam como “entregues” apenas no papel, técnica usada para drenar recursos federais de forma rápida.

Tibau

Em Tibau, as buscas focaram em processos licitatórios. A suspeita é de que empresas “laranjas” ligadas aos mesmos sócios da DISMED participavam das mesmas licitações para simular uma concorrência inexistente, garantindo que o valor final do contrato permanecesse sempre no teto máximo permitido.

Uma Crise Regional

Com o bloqueio de bens determinado pela Justiça Federal e a apreensão de mais de R$ 250 mil em espécie em toda a operação, o impacto não é apenas jurídico, mas administrativo. As prefeituras agora correm o risco de desabastecimento, já que as principais fornecedoras de medicamentos da região estão com contas bloqueadas e proibidas de contratar.