No final do ano passado foi amplamente difundida em blogs e redes sociais bolsonaristas a versão de que o delegado Cidorgeton Pinheiro teria sido “removido” da Delegacia Especializada em Narcóticos (DENARC) como forma de retaliação política por sua atuação contra o tráfico de drogas.
No entanto, documentos oficiais e relatos que o Blog do Barreto teve acesso a relatos de quem vive o cotidiano da Polícia Civil que revelam uma motivação estritamente administrativa e de gestão interna.
Ao contrário do que tem sido propagado, a saída do delegado não foi uma imposição da Delegacia Geral (DEGEPOL). O Ofício nº 44/2025/PCRN, assinado eletronicamente pelo próprio Cidorgeton em 30 de dezembro de 2025, comprova que ele solicitou sua própria remoção.

Protocolo SEI: No documento registrado sob o número 38540039, o delegado utiliza o termo explícito: “solicitar remoção deste servidor ao final subscrito”.
O texto menciona que o pedido ocorreu “em atenção ao que foi convencionado na reunião realizada no dia de hoje”, indicando um acerto administrativo comum na rotina policial.
Estopim
Relatos internos apontam que a permanência na unidade tornou-se insustentável devido a um isolamento do delegado em relação à sua própria equipe e à cúpula da instituição.
O delegado teria interrompido o diálogo com o seu superior direto, o Diretor de Polícia Especializada (DPE).
Um episódio crítico envolveu uma operação conjunta no bairro de Mãe Luíza. Segundo fontes internas, o delegado teria alegado falta de estrutura para participar da ação integrada, mas realizou uma operação isolada dois dias antes da data marcada para garantir o protagonismo da notícia, o que gerou desconforto e quebra de confiança entre os pares.
Outro problema que gerou problemas internos é a desconfiança de que o delegado que fornecia dados valiosos obtidos coma Receita Federal, que estariam sendo vazados para a imprensa.
Mediação Recusada
Antes da saída definitiva, a Delegacia Geral Adjunta tentou mediar o conflito. Foi oferecida a Cidorgeton a oportunidade de permanecer na DENARC como delegado adjunto, o que evitaria o contato direto com a chefia com a qual ele possuía atritos.
A resposta do delegado foi taxativa: “Então quem sai sou eu”. Diante da impossibilidade de manter um ambiente de trabalho harmonioso e da recusa em aceitar a hierarquia estabelecida, ele optou pela formalização do pedido de transferência para a Delegacia de Polícia da Grande Natal.
A narrativa de perseguição cai por terra diante do Ofício 44/2025. O sistema não o tirou; ele escolheu sair após o esgotamento de sua relação com a estrutura que o sustenta.