“Ganham dinheiro com a doença do povo”, diz Isolda sobre investigações que apontam corrupção na gestão de Allyson

Foto: João Gilberto

Em um discurso contundente na Assembleia Legislativa, a estadual Isolda Dantas (PT) não poupou o prefeito Allyson Bezerra (UB), alvo de um mandado de busca e apreensão no último dia 27 de janeiro dentro da Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal.

Allyson é suspeito de receber 15% em propina dos empresários Oseas Monthalggan e Moab Soares pela venda de medicamentos.

A parlamentar utilizou o termo “Matemática de Mossoró” para descrever o que chamou de um esquema “cruel” de desvio de recursos e má gestão de insumos médicos. O que tá acontecendo em Mossoró não é coisa pouca não. E olhe que é apenas uma investigação. A ‘matemática de Mossoró’ da saúde, que aí é mais cruel do que todas, era sobrepreço de medicação, era medicação dita que é entregue e não era entregue, e medicação com prazo de validade um dia de vencido”, frisou.

“O roubo é inadmissível, mas quando ocorre na saúde, ele é cruel. São pessoas que deixam de receber tratamento enquanto outros ganham dinheiro em cima da doença do povo”, complementou.

Isolda afirmou que o discurso de “perseguição” alegado por Allyson não cola. “É grave, minha gente, é grave! E essa casa não pode fazer de conta que não tá acontecendo. Isso não sou eu que tô dizendo, não é fofoca, tá no documento da Polícia Federal. Mas Bolsonaro foi assim: Bolsonaro ficou dizendo que era perseguição, que era coisa do PT, foi investigado, foi provado e hoje tá preso”, disse.

“Nós vamos acompanhar a ‘matemática de Mossoró’ de muito perto, porque a nossa Mossoró vai conseguir se libertar mais uma vez”, acrescentou.

Lembrando

Segundo a denúncia, baseada em investigações da Polícia Federal, o esquema envolveria três frentes principais de corrupção com a compra de medicamentos por valores acima do mercado e registro de recebimento de remédios que, na prática, nunca chegaram aos postos de saúde.