Documentos internacionais e registros financeiros revelador pelo portal O Potiguar do cientista político Daniel Menezes e pelo jornalista Habyner Lima revelaram uma conexão direta e documentada entre a capital potiguar e o esquema de tráfico e influência do financista americano Jeffrey Epstein.
As investigações jornalísticas, baseadas em processos judiciais abertos nos Estados Unidos, apontam a potiguar Alexia Righi Suriani como a principal intermediária de jovens da região para o círculo de Epstein.
Em e-mails datados de 2011, as comunicações entre Epstein e Alexia descrevem o planejamento para
levar uma jovem identificada como Jamilly aos Estados Unidos. Nos registros, Jamilly é descrita como uma jovem de “família simples e bonita”, residente nos arredores de Natal, que nunca havia viajado para o exterior e não possuía passaporte.





As mensagens detalham a logística da operação:
- Intermediação: Alexia fornecia fotos e informações de jovens para Epstein.
- Logística: Pedidos de orientação sobre emissão de documentos, passaportes e custos de viagem.
- Padrão: O uso de termos que sugerem o recrutamento de jovens em situação de vulnerabilidade econômica para serem levadas ao exterior.
Fluxo Financeiro e Rede de Influência
Registros financeiros de julho de 2009 confirmam uma transferência bancária de US$ 4.200 (aproximadamente R$ 20.800 em valores atuais) originada de uma conta de Epstein para Alexia Suriani. Embora o motivo do pagamento não seja detalhado no memorando bancário, a data coincide com outras comunicações sobre o “recrutamento” de jovens.
Além de Jamilly, os documentos mencionam outras mulheres, incluindo uma pessoa identificada como Alana Righi, irmã de Alexia.
Em uma das trocas de mensagens, Epstein chega a mencionar que o Príncipe Andrew, da família real britânica, entraria em contato, evidenciando o nível de influência das conexões nas quais as jovens brasileiras eram inseridas.



Identificação e Patrimônio
Através de técnicas de inteligência de fontes abertas (OSINT), a apuração local cruzou os nomes citados nos processos americanos com registros públicos no Brasil. Alexia Righi Suriani, que atualmente reside em Nova York, possui vínculos comerciais ativos no Rio Grande do Norte.
- Ela figura como responsável por uma empresa na Grande Natal com capital social declarado de R$ 10 milhões.
- Registros recentes, como autuações de trânsito em Natal no final de 2025 e documentos arquivados no Detran-RN, confirmam a manutenção de sua identidade e vínculos com o estado.
Desdobramentos Jurídicos
O material reunido, que inclui trocas de e-mails, registros de voos e comprovantes bancários, está sendo organizado para encaminhamento às autoridades competentes e à imprensa nacional. Especialistas alertam que, embora a menção em e-mails não signifique condenação criminal imediata, o teor das mensagens sugere uma estrutura profissional de recrutamento de brasileiras para uma das redes de exploração mais notórias da história recente.
O Ministério Público Federal (MPF/RN) já foi acionado para analisar se houve crime de tráfico internacional de pessoas envolvendo cidadãs potiguares.