Mossoró perde força na abertura de empresas em 2025 e é ultrapassada por Parnamirim

Foto: reprodução/autoria não identificada

Mossoró, tradicionalmente reconhecida como o segundo maior polo econômico do Rio Grande do Norte, registrou em 2025 sinais claros de perda de competitividade na criação de novas empresas. Pela primeira vez em anos, o município foi ultrapassado por Parnamirim e caiu para a terceira posição no ranking estadual de abertura de negócios — um indicativo de que o dinamismo econômico local está perdendo fôlego diante da crescente rivalidade regional.

Segundo dados da Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte (JUCERN), Mossoró fechou o ano com um saldo de 2.552 novas empresas, número expressivo, mas insuficiente para manter sua posição histórica. O município ficou distante de Natal, que alcançou 7.728 aberturas, e atrás de Parnamirim, que somou 2.739. Em termos proporcionais, Mossoró abriu 67% menos empresas que a capital e 6,83% menos que Parnamirim — desempenho que dialoga diretamente com indicadores recentes do mercado de trabalho, nos quais Mossoró apresentou o pior resultado de geração de empregos entre os 167 municípios potiguares.

A tendência reforça a consolidação da Grande Natal como principal centro de dinamismo empresarial do estado. Municípios como São Gonçalo do Amarante (867) e Extremoz (609) também registraram saldos robustos, confirmando a expansão da região metropolitana como polo de atração de investimentos.

No interior, outras cidades vêm ganhando tração econômica. Macaíba (395), Currais Novos (335), Ceará-Mirim (319), Assú (292) e Caicó (291) apresentaram evolução consistente, ampliando a concorrência regional e acendendo um alerta para Mossoró, que passa a enfrentar desafios tanto dentro quanto fora de sua fronteira imediata.

Especialistas apontam que fatores como burocracia local, custos operacionais, infraestrutura urbana deficiente e entraves regulatórios podem estar influenciando a migração de novos empreendimentos para outros municípios. Some-se a isso a transferência gradual de atividades estratégicas — incluindo segmentos da cadeia de petróleo e gás e de serviços especializados — para cidades vizinhas, o que reduz o potencial de expansão econômica mossoroense.

A desaceleração na abertura de empresas em 2025 evidencia a urgência de uma revisão profunda das políticas de desenvolvimento econômico de Mossoró. Para analistas, medidas como simplificação tributária, estímulos à inovação, qualificação da mão de obra e melhoria ampla do ambiente de negócios serão essenciais para que o município recupere competitividade e evite perder ainda mais protagonismo no cenário estadual.

Caged Mossoró

2020 (-526) ano da pandemia

2021: 5.768

2022: 4.377

2023: 6.932

2024: 6.743

2025: (-1.393)

Em 2025, o setor de serviço de Mossoró foi o mais afetado: fechou 2.592 postos de trabalho celetista (com carteira assinada).