Em cinco anos, Allyson inverteu a lógica e fez gastos com festas e publicidade serem 83% maiores do que os investimentos em áreas essenciais

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O relatório da Integrativa Assessorias e Formações mostrou que entre os exercícios de 2021 e 2025 houve uma mudança drástica nas prioridades da gestão municipal de Mossoró.

O prefeito Allyson Bezerra (UB) inverteu a lógica da balança de investimentos da administração optando por ações que geram maior visibilidade.

Quando ele assumiu o cargo em 2021, a gestão gastava mais com investimentos em áreas essenciais do que em eventos e publicidade, mas rapidamente a lógica se inverteu com uma explosão de gastos em eventos e propaganda que superam, com folga, o orçamento de áreas vitais para a população.

Em 2021, os investimentos áreas essenciais (reformas e construção de escolas) recebiam R$ 6,8 milhões, valor superior aos R$ 5 milhões destinados a eventos e publicidade. Era o único momento em que o cuidar das pessoas valia mais que a vitrine.

Detalhe: no primeiro ano de mandato, o orçamento foi elaborado pela gestão anterior, de Rosalba Ciarlini (PP).

No entanto, a partir de 2022, ano do primeiro orçamento elaborado pela gestão de Allyson, a inversão foi agressiva. Em apenas quatro anos, o montante destinado à promoção e festividades saltou de R$ 5 milhões para impressionantes R$ 54,7 milhões anuais — um crescimento real de quase 1.000%.

Em cinco anos, os eventos e publicidade somaram R$ 146,3 milhões enquato os investimentos em áreas essenciais totalizaram R$ 79,7 milhões. Isso significa que, no acumulado dos 5 anos, o gasto com propaganda e eventos foi aproximadamente 83,6% maior do que o investimento total em áreas essenciais. A conta final é simples e dura: o aumento da visibilidade do prefeito custou quase o dobro do que construção e reformas de escolas e postos de saúde nos últimos cinco anos.

Um dado que chama atenção é que 2024, ano em que o prefeito foi reeleito com votação consagradora, foi um ponto fora da curva com um pico súbito onde o investimento em áreas essenciais quadruplicou, chegando a R$ 41,2 milhões, ficando apenas 5% mais baixo do que publicidade e festas.

Já em 2025 o investimento em áreas essenciais recuou drasticamente para a casa dos R$ 12 milhões enquanto os gastos com eventos continuaram em sua trajetória ascendente.

No ano passado gastou-se 353% a mais em eventos e publicidade do que em serviços básicos. Na prática, para cada R$ 1,00 investido no que é essencial, a administração gasta mais de R$ 3,50 para promover sua imagem ou realizar eventos.

A queda brusca em 2025 (de R$ 41 mi para R$ 12 mi) levanta questionamentos sobre a sustentabilidade e a continuidade desses serviços básicos.