A aplicação do Piso Nacional do Magistério tornou-se o principal campo de batalha política e judicial entre gestores e sindicatos no Rio Grande do Norte nos últimos anos.
Embora a lei federal determine o reajuste anual, a forma como ele chega — ou deixa de chegar — ao contracheque dos docentes varia drasticamente entre o Governo do Estado e as duas maiores prefeituras potiguares.
E isso diz muito como os três grupos que disputarão o Governo do RN em outubro lidam com a valorização salarial dos professores.
Um levantamento dos índices aplicados nos últimos cinco anos revela um cenário de disparidades: enquanto a governadora Fátima Bezerra (PT) cumpre o valor nominal ainda que de forma parcelada, o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) e o prefeito Allyson Bezerra (UB) acumulam déficit nas contas dos sindicatos.
Há um detalhe: o Governo do RN é o único que inclui os aposentados na contabilidade.
Álvaro Dias, encerrou seu ciclo com a maior dívida acumulada entre os três gestores analisados. O ponto de ruptura ocorreu em 2022, quando o MEC anunciou o histórico reajuste de 33,24%. A gestão municipal não aplicou o índice na tabela, gerando uma defasagem que nunca foi recuperada.
Segundo o SINTE/RN, a falta de correção integral em 2022, somada à aplicação parcial de apenas 7% em 2023 (contra os 14,95% do MEC), criou um abismo salarial.
Ao final do mandato, Álvaro somou 60% de defasagem no reajuste.
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Em Mossoró, o prefeito Allyson Bezerra adotou uma estratégia de comunicação agressiva, afirmando pagar acima do piso. No entanto, os números mostram uma defasagem de 27% focada especialmente nos professores veteranos.
O “nó” em Mossoró foi o ano de 2023. O prefeito não aplicou os 14,95%, argumentando que os salários da cidade já superavam o mínimo nacional. Para o SINDISERPUM, isso fere o Plano de Carreira, pois se o reajuste não é linear, a diferença entre quem entra agora e quem tem 20 anos de serviço deixa de existir — o chamado “achatamento”.
A governadora Fátima Bezerra (PT) é a única que mantém a defasagem da tabela em 0%, ou seja, ela aplica todos os índices do MEC integralmente na carreira.
Para equilibrar as contas, o Estado utiliza parcelamentos. O reajuste de um ano muitas vezes só termina de ser pago no ano seguinte. Embora o valor do salário na folha seja o correto, o professor sofre com a perda do poder de compra dos retroativos, que demoram meses para serem quitados.
Comparativo de Perdas Acumuladas
Abaixo, os dados que ilustram o impacto real na carreira docente:
| Gestor | Defasagem Estimada | Situação da Carreira |
| Álvaro Dias (Natal) | 60% | Crítica: Maiores reajustes foram ignorados. |
| Allyson Bezerra (Mossoró) | 27% | Moderada: Perda de progressão em 2023. |
| Fátima Bezerra (Estado) | 0%* | Regular: Tabela atualizada, mas pagamento parcelado. |
Em Natal e Mossoró, a resistência em aplicar os índices de forma integral na tabela faz com que a “escada” da carreira desapareça. Na prática, um professor com doutorado e décadas de experiência acaba recebendo um valor muito próximo de um recém-concursado, pois todos são empurrados para o valor mínimo do piso nacional para evitar o descumprimento da lei federal.