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O empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro voltou a ser preso pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4), em São Paulo. Ele se entregou à Superintendência da PF em São Paulo. O ex-banqueiro também foi detido na mesma operação.
Zettel era alvo da nova fase da Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Federal, a nova etapa da operação apura a possível prática de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos por integrantes de uma organização criminosa. Em nota, a defesa afirmou que, apesar de ainda não ter tido acesso aos detalhes da investigação, ele está à disposição das autoridades.
As prisões foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em sua primeira decisão como relator do caso, função que assumiu no mês passado.
Casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, Zettel é pastor evangélico e empresário. Ele foi o maior doador das campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro, com R$ 3 milhões, e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com R$ 2 milhões. Também ganhou projeção no meio empresarial com marcas ligadas ao setor de alimentação e uma academia de alto padrão.
De acordo com a PF, o esquema investigado envolve a comercialização de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.
Zettel já havia sido preso em janeiro, quando tentava embarcar em um voo comercial no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Dois meses antes, em novembro, Vorcaro também foi detido ao tentar embarcar em um avião particular rumo à Europa, que partiria de Guarulhos. Na avaliação da PF, havia indícios claros de que ele pretendia deixar o país.
Além das prisões de Vorcaro e Zettel, o Supremo Tribunal Federal expediu outros dois mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. As investigações contam com apoio do Banco Central.
A Justiça também determinou o afastamento de investigados de cargos públicos e o bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões. A medida busca impedir a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado e preservar valores possivelmente relacionados às irregularidades apuradas.
Vorcaro era esperado para prestar depoimento nesta quarta-feira à CPI do Crime Organizado, em Brasília. No entanto, o banqueiro já havia indicado que compareceria apenas à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Na terça-feira (3), o ministro André Mendonça decidiu que a presença dele na CPI seria facultativa.
