Alisson Almeida
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A Câmara Municipal de Natal (CMN) emitiu nota oficial sobre o envolvimento de um ex-servidor suspeito de integrar um grupo criminoso que, segundo a Polícia Civil, atuou para obter emendas parlamentares para financiar sua atuação na comunidade do Passo da Pátria, na Zona Leste de Natal.
A atuação do grupo criminoso foi revelada pela “Operação Decreto”, deflagrada na última quinta-feira (26), que culminou com a prisão de 12 suspeitos, entre eles o ex-servidor da CMN, envolvidos diretamente em ações de comando, execução de homicídios, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, ainda segundo a Polícia Civil.
A Câmara Municipal, em seu comunicado, afirma que tomou conhecimento dos fatos através da imprensa e se refere ao suspeito como “suposto ex-funcionário”.
A nota informa ainda que, como o processo tramita sob sigilo, a instituição, até o momento, “não teve acesso aos autos da investigação, tampouco às informações detalhadas acerca das pessoas envolvidas”.
“Dessa forma, enquanto o procedimento permanecer sob sigilo e não houver comunicação oficial com acesso às informações necessárias, a Câmara Municipal de Natal não dispõe de elementos para emitir posicionamento mais detalhado sobre o caso”, diz o comunicado oficial.
De acordo com as investigações da Polícia Civil, o ex-servidor é suspeito de atuar para viabilizar a destinação de emendas parlamentares para o Carnaval de 2025 no Passo da Pátria.
A estratégia envolveria pressão e ameaças para garantir o acesso aos recursos públicos. Caso as verbas não fossem direcionadas conforme o interesse da facção, o grupo ameaçava impedir ações políticas e eventos na comunidade, numa tentativa de consolidar o domínio territorial e reforçar sua influência sobre moradores e lideranças locais.
A investigação aponta que a tentativa de obtenção das emendas fazia parte de um plano mais amplo de fortalecimento da organização, associando o financiamento de eventos populares ao controle social da área.
Ao atrelar recursos públicos à sua atuação no território, a facção buscaria ampliar legitimidade junto à população e demonstrar poder de interferência nas decisões políticas locais.
A Polícia Civil ainda apura se houve participação ou conivência de outros agentes públicos, mas até o momento não há divulgação de nomes de parlamentares ou assessores eventualmente envolvidos.
Felipe Alves
O nome do ex-servidor suspeito também não foi informado oficialmente, nem se ele estava lotado no gabinete de algum vereador ou vinculado a algum setor da Câmara Municipal.
O blog “O Potengi” chegou a noticiar que o ex-servidor preso seria um ex-assessor do ex-vereador Felipe Alves (MDB), atual secretário municipal de Serviços Urbanos de Natal (Semsur). O secretário, no entanto, disse que a informação era “inverídica”.
Em nota enviada à reportagem, ele afirmou que nunca teve “conhecimento de qualquer suposta atividade criminosa relacionada a desvio de emendas ou a qualquer outro tipo de irregularidade”.
“Reitero, ainda, que sempre pautei minha trajetória de forma transparente, respeitando às leis e mostrando compromisso com o interesse público”, disse o secretário.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações seguem em andamento para aprofundar a análise do fluxo financeiro da organização e esclarecer o alcance da tentativa de interferência nas emendas parlamentares.
Movimentação
Ainda segundo as investigações, o grupo movimentou cerca de R$ 6 milhões em um período de 18 meses, principalmente com o tráfico de drogas.
A organização criminosa também é apontada como responsável por, pelo menos, quatro homicídios registrados ao longo de 2024.
Ao todo, foram identificados 12 integrantes da facção, alguns presos durante o cumprimento de mandados em Natal e na Região Metropolitana, enquanto outros seguem sendo investigados.
A “Operação Decreto” integra um conjunto de ações de enfrentamento ao crime organizado na capital potiguar, especialmente em áreas onde há disputa por território e influência política.
A deflagração da operação teve início na segunda-feira (23) com o cumprimento de mandado de prisão no Mato Grosso do Sul, contra uma mulher de 33 anos, indiciada como uma das líderes da organização criminosa.
Além disso, foi expedido um mandado de prisão contra outro líder, um homem de 24 anos que está foragido no Rio de Janeiro (RJ).
