Da década de sangue com Rosalba e Robinson, a redução drástica da violência com Fátima: como o RN se tornou o Estado mais seguro do Nordeste

Foto: Raiane Miranda

O Rio Grande do Norte viveu, nos últimos 15 anos, um dos arcos mais dramáticos da segurança pública brasileira. De um estado pacato, o RN saltou para o topo dos rankings de violência mundial em 2017, para depois iniciar um processo de queda sustentada que, em 2024 e 2025, reconduziu os índices de homicídios aos patamares de uma década atrás.

Hoje, o Rio Grande do Norte conquistou o status de estado mais seguro do Nordeste e o quarto do país.

Ao analisar as gestões de Rosalba Ciarlini, Robinson Faria e Fátima Bezerra, os dados revelam que o sucesso ou o fracasso no combate ao crime no estado esteve diretamente atrelado a três pilares: equilíbrio fiscal, investimento em pessoal e controle prisional.

  1. O Início da Crise: A Gestão Rosalba (2011–2014)

A segurança pública potiguar começou a ruir silenciosamente entre 2011 e 2014. Foi o período em que as facções criminosas nacionais começaram a se “instalar” no estado, encontrando forças policiais com efetivos envelhecidos e falta de investimento em inteligência.

  • O Dado: O governo entregou o estado com 1.772 mortes violentas em 2014, um salto de 68% em relação ao início do mandato.
  • O Erro Histórico: A ausência de concursos públicos e a falta de monitoramento sobre a comunicação dentro dos presídios permitiram que o crime organizado se estruturasse sem resistência estatal à altura.

Resumo:

GESTÃO ROSALBA (2011-2014)

  • Início (2011): 1.050 mortes
  • Fim (2014): 1.772 mortes
  • Tendência: 📈 Alta de 68%

  1. O Colapso e o Massacre de Alcaçuz: A Gestão Robinson (2015–2018)

Se Rosalba viu a semente da crise, Robinson Faria colheu a tempestade. Sua gestão foi marcada pela mais profunda crise financeira da história do RN, resultando em meses de salários atrasados para os policiais.

  • O Ápice da Violência: Em 2017, o RN registrou o recorde trágico de 2.408 mortes violentas. O massacre na Penitenciária de Alcaçuz tornou-se o símbolo mundial da perda de controle do Estado.
  • O Cenário de Guerra: Com as polícias paralisadas por greves e viaturas sem combustível, o crime organizado tomou as ruas. Robinson encerrou seu governo em 2018 com uma leve redução (1.788 mortes), mas deixando um estado em ruínas fiscais e institucionais.

Resumo:

GESTÃO ROBINSON (2015-2018)

  • O Ápice (2017): 2.408 mortes (Recorde histórico)
  • Fim (2018): 1.788 mortes
  • Tendência: ⚠️ Pico de crise e descontrole
  1. A Reestruturação e a Queda dos Índices: A Gestão Fátima (2019–2025)

A partir de 2019, o cenário começou a mudar. Os dados da COINE/SESED mostram uma curva descendente que desafiou as projeções mais pessimistas.

O gráfico oficial da segurança pública aponta que, em 2024, o RN atingiu o seu melhor resultado em mais de uma década, com apenas 749 mortes violentas. Mesmo com a oscilação para 870 mortes em 2025, a redução acumulada desde o pico de 2017 é de aproximadamente 64%.

Resumo:

GESTÃO FÁTIMA (2019-2025)

  • Redução (2023): 950 mortes
  • Melhor Índice (2024): 749 mortes
  • Tendência: 📉 Queda de 51,3% (vs 2018)

O Triângulo do Investimento

O diferencial desta gestão, segundo os dados orçamentários, foi o investimento maciço em três frentes:

  1. Recomposição de Pessoal: Foram realizados 9 concursos públicos. Da Polícia Civil (que passou 12 anos sem reforços) ao ITEP, o estado injetou mais de 4.600 novos agentes no sistema. Em 2026, o efetivo total da segurança é 14,4% maior do que em 2018.
  2. Tecnologia e Frota: O governo abandonou o modelo de viaturas próprias sucateadas e adotou 100% de frota locada, garantindo manutenção imediata. Além disso, o uso de drones e reconhecimento facial modernizou o patrulhamento.
  3. Controle Prisional: A manutenção de um regime rígido dentro das unidades prisionais impediu que ordens de ataques externos fossem transmitidas com facilidade, “secando” a fonte da violência nas ruas.

A comparação entre os governos mostra que a segurança no Rio Grande do Norte deixou de ser uma política de “reação a crises” para se tornar uma política de “gestão de dados”.

Enquanto o governo Robinson foi o período da anarquia, e o de Rosalba o da omissão, o governo Fátima Bezerra consolidou-se como o período da estabilização. No entanto, o desafio para 2026 e além permanece: manter os investimentos em pessoal mesmo diante de orçamentos apertados e combater a migração do crime para o interior do estado.

Resumo da comparação:

PILAR ERA DAS CRISES (2011-2018) ERA DA RETOMADA (2019-2025)
Pessoas Déficit Crônico: Sem concursos relevantes por mais de 10 anos. Recomposição: 9 concursos e +4.600 novos agentes nomeados.
Finanças Colapso: Salários atrasados (até 4 meses) e greves policiais. Equilíbrio: Salários em dia e quitação de folhas herdadas.
Frota Sucateamento: Viaturas próprias quebradas e sem manutenção. Modernização: 100% da frota renovada (modelo de locação).
Presídios Vulnerável: Massacre de Alcaçuz e ordens saindo das celas. Controle: Rigor absoluto e bloqueio de comunicação interna.