Um modelo elaborado pelo cientista político e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Anderson Santos aponta o potencial de voto de cada candidato ao Governo do Estado no atual estágio da pré-campanha.
Pelo estudo, que rodou 12 mil simulações, através do modelo Monte Carlo, o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (UB) teria um percentual de votos válidos entre Allyson 42% e 45%. Já Álvaro Dias (PL) teria entre 28% e 30%. Por fim, Cadu Xavier (PT) estaria entre 22% e 25%.
“É um método de simulação que, em vez de trabalhar com um único valor para cada parâmetro, sorteia milhares de combinações possíveis dentro dos intervalos definidos”, explica o professor que acrescenta que o trabalho está sujeito a ser falho como qualquer pressuposto.
Ao analisar a situação de cada candidato, ele avalia que “Cadu Xavier é beneficiado pelo voto retrospectivo, então ele parte de uma base mais ampla do que ele partiria caso fosse um candidato independente, mas enfrenta teto baixo”.
Já o ex-prefeito de Natal se beneficia recall e do alinhamento com o bolsonarismo. “Álvaro Dias, por outro lado, se beneficia do voto mais identitário, com base na região metropolitana de Natal. Isso garante, também, um bom ponto de partida, mas é limitado pois está distante ideologicamente de uma grande parcela do eleitorado”, comentou.
O professor cita o economista e cientista político americano Anthony Downs, para explica que a vantagem de Allyson reside no fato de o eleitor escolher o candidato mais próximo de si em um cenário de má avaliação da governadora Fátima Bezerra (PT). “Allyson, por ser de oposição, reúne essa propriedade”, frisa.
Por outro lado, Cadu fica na dependência da melhora da avaliação de Fátima para crescer. A presença de Allyson na disputa torna a tarefa ainda mais complexa. “Cadu obviamente precisará de uma melhoria expressiva da avaliação do governo Fátima. O trabalho dele de ir além do governismo é prejudicado pela presença de Allyson, que, no frigir dos ovos, faz as vezes de ‘válvula de escape”’, explica.
“Por outro lado, Álvaro precisa mover-se ao centro para conquistar maioria, na direção do espaço ocupado atualmente por Allyson”, acrescenta.
Anderson avalia que Cadu poderia ter uma fração da aprovação da governadora, fixada em faixas de 50-65-80% da aprovação. Já Álvaro parte de frações da votação de Rogério Marinho (PL) ao Senado em 2022. “Considerando que seria possível que Marinho reativasse as conexões e bases na capital e no interior. Da mesma forma, faixas 50-65-80. As mesmas faixas de 50%, 65% e 80% foram aplicadas por simetria metodológica”, explica.
O professor explica que a polarização e a defesa do governo à candidatura do PT tende a consolidar as candidaturas de Cadu e Álvaro. “A votação de Allyson resultou do que sobra depois de descontados os dois adversários e uma margem de 3% a 5% para candidatos menores”, acrescenta.
Para Anderson que Álvaro pode consega ir além de sua base. “Isso não depende dele, certo? Cadu fará o serviço: anunciará Álvaro como bolsonarista”, reforça.
Para Anderson, Cadu tem o trunfo da vinculação a Lula e o ônus da desaprovação de Fátima. “O problema é que tanto Álvaro quanto Allyson (sobretudo Allyson) vão vincular Cadu a Fátima fortemente e relativizar a sua vinculação a Lula”, frisa.
Por isso a candidatura de Allyson funciona como a válvula de escape. “Downs ensina que o eleitorado escolhe por proximidade. Ele acaba se beneficiando da ação de Álvaro: se Álvaro disser que Allyson é próximo ao petismo, isso pode levar o eleitor a tomá-lo como a opção não-governista mais próxima. Se Cadu disser que ele é inexperiente, Allyson poderá reagir com a carteira de obras em Mossoró. Ele pode ser atingido, pelo menos vejo isso, por problemas de gestão em Mossoró. Mesmo assim, ele vai se beneficiar como válvula de escape”, avalia.
Por fim, Anderson sugere algumas tarefas a serem feitas pelos principais candidatos:
Álvaro Dias
∙ Garantir o engajamento ativo de Rogério Marinho na campanha, principalmente no interior e onde as redes territoriais de 2022 ainda estão operantes
∙ Consolidar o eleitorado bolsonarista antes de qualquer movimento de expansão
∙ Usar a polarização como combustível, pois, quanto mais visível for a candidatura petista, mais seu reservatório estará consolidado
Cadu Xavier
∙ Disputar o eleitorado de centro que avalia bem o governo mas tem resistência ao PT, diferenciando-se de Allyson
∙ Usar a aprovação de Lula
∙ Converter aprovação de gestão em voto prospectivo: mostrar continuidade de obras, programas e conquistas
∙ Fortalecer a máquina governista nos municípios onde a aprovação de Fátima é mais alta
∙ Evitar ser consumido pela polarização
Allyson Bezerra
∙ Controlar o nível de polarização, isso porque a candidatura petista aciona demais o reflexo antipetista, o que infla os dois adversários simultaneamente
∙ Construir uma narrativa de gestão, não apenas de campo político, com o intuito de reduzir a transferência para Cadu ao disputar o eleitor que avalia bem Fátima mas não quer o continuísmo
∙ Forçar o debate programático
