66% dos deputados estaduais do RN mudaram de partido na janela partidária com predomínio da federação do PT e do PL

Foto: João Gilberto

O fechamento da janela partidária de 2026 provocou uma grande mudança na configuração política da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN). O cenário que emerge das trocas de legenda revela duas realidades opostas: a resiliência ideológica do PT e o pragmatismo eleitoral que redesenhou as grandes bancadas do estado.

Dos 24 parlamentares que compõem a Casa, 16 mudaram de partido, o que representa uma rotatividade de 66%. No entanto, um dado salta aos olhos: o PT foi o único partido que não registrou nenhuma entrada ou saída, mantendo sua bancada original rigorosamente intacta.

A nova correlação de forças coloca a Federação Brasil Esperança (PT/PV) e o PL no topo do poder legislativo, ambos com 8 deputados.

A federação governista cresceu ao atrair parlamentares para as fileiras do PV, como Bernardo e Ubaldo (ex-PSDB), além de Ivanilson (ex-União Brasil). Enquanto isso, o PL, capitaneado pela oposição, foi o partido que mais angariou nomes individualmente, saltando de 3 para 8 cadeiras, tornando-se o principal porto seguro de nomes históricos que deixaram o PSDB, como Tomba Farias, Gustavo Carvalho e Zé Dias.

Se houve um derrotado nesta janela, foi o PSDB. O partido, que iniciou a legislatura como a maior força da Casa com 10 deputados, viu seu tamanho reduzido a apenas 3 parlamentares: o presidente Ezequiel Ferreira, Taveira Júnior e Cristiane Dantas.

A debandada tucana não fortaleceu apenas o PL, mas também a Federação União Progressista (PP/União Brasil), que dobrou sua representação, saindo de 2 para 4 deputados, consolidando nomes como Galeno Torquato, Kléber Rodrigues e Nelter Queiroz.

TABELA: O ANTES E DEPOIS DA ALRN

Partido / Federação Eleitos (2022) Pós-Janela (2026) Saldo
Brasil Esperança (PT/PV) 6 8 +2
PL 3 8 +5
União Progressista (PP/UB) 2 4 +2
PSDB 10 3 -7
MDB 1 1 0
Solidariedade 2 0 -2

O isolamento do PT nesse processo de trocas não é apenas um detalhe estatístico. Enquanto as demais siglas se movimentaram por conveniência eleitoral ou acomodação de bases, os deputados Francisco, Isolda e Divaneide mantiveram a fidelidade à legenda, sinalizando uma coesão que deve ser o pilar de sustentação do governo na reta final da legislatura.

Por outro lado, o crescimento do PL e a sobrevivência do PSDB, mesmo que reduzido, indicam que a oposição e o bloco independente se reorganizaram para o embate das urnas que se aproxima, deixando o Solidariedade como o grande extinto da atual legislatura.