Por Gutemberg Dias*
A eleição no Rio Grande do Norte já começou. E, como em todo jogo político, há quem esteja ocupando espaço — e há quem ainda esteja pensando se ocupa.
Hoje, o ex-prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra, lidera com folga. O ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, segue competitivo. E, correndo por fora, mas com potencial, está Cadu Xavier, candidato do presidente Lula e da governadora Fátima Bezerra.
Até aqui, nada de novo.
O problema começa quando se olha além dos números.
Porque eleição não é só pesquisa.
É percepção.
E percepção se constrói com movimento.
Cadu ainda não fez o movimento mais óbvio — e mais necessário.
Não tem vice.
E isso, em política, não é detalhe. É sinal.
Sinal de que a engrenagem ainda não está completa. Sinal de que a articulação ainda não fechou. Sinal de que falta algo — e o eleitor percebe isso antes mesmo de conseguir explicar.
Enquanto isso, os adversários avançam.
Avançam no discurso. Avançam na ocupação de espaço. Avançam, principalmente, na construção de uma imagem simples e poderosa: estão prontos.
E quem parece pronto, larga na frente — e continua na frente.
A pergunta que começa a ecoar nos bastidores é direta: até quando essa indefinição vai durar?
Porque, em política, o tempo não espera.
E quem demora para decidir, muitas vezes já decidiu — só não percebeu ainda.
A base aliada sabe disso. E começa a apontar o caminho. O Partido Socialista Brasileiro surge como a solução mais lógica para indicar o vice.
Mas lógica, sozinha, não resolve eleição.
É preciso estratégia.
E estratégia, neste caso, tem endereço.
Mossoró.
Se Alysson Bezerra construiu sua liderança a partir dali, ignorar esse território não é erro — é escolha. E uma escolha cara.
A resposta precisa ser direta: um nome do PSB que saia de Mossoró.
Não para “compor”.
Para enfrentar.
Para marcar presença.
Para dizer, sem rodeios, que a disputa também passa por ali.
Porque quando você entra no território do adversário com força, algo muda. O clima muda. A narrativa muda. A sensação de domínio começa a rachar.
E eleição se ganha também nessas fissuras.
Mas não basta qualquer nome.
Tem que ser alguém que o eleitor olhe e reconheça. Que tenha voz. Que tenha trânsito. Que consiga conversar com quem produz, com quem decide, com quem forma opinião.
Um nome que não peça espaço — que ocupe.
Porque vice fraco não soma. Vice irrelevante não muda jogo.
E, neste momento, o jogo precisa mudar.
Cadu Xavier ainda tem tempo.
Mas não tem todo o tempo.
E aqui está a linha que separa campanhas competitivas de candidaturas que ficam pelo caminho: a capacidade de transformar potencial em decisão.
Decidir agora não é apenas organizar a chapa.
É sinalizar força.
É mostrar comando.
É fazer o eleitor — aquele que ainda está observando em silêncio — começar a pensar:
“Agora sim, essa candidatura entrou no jogo.”
Porque, no fim, é simples.
Quem não ocupa espaço… perde espaço.
E quem não escolhe… acaba sendo escolhido pelo cenário.
*É empresário e professor.
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