O rendimento mensal real domiciliar per capita do Rio Grande do Norte chegou a R$ 1.779 em 2025, um crescimento de 9,41% em relação a 2024, quando a renda per capita havia sido de R$ 1.626. Com o resultado, o estado ficou pelo terceiro ano seguido com a maior renda per capita do Nordeste. Os valores estão atualizados a preços médios do último ano.
Embora a renda per capita dos domicílios potiguares permaneça abaixo da média Brasil (R$ 2.264), o aumento registrado no estado (9,41%) foi maior que o nacional (6,89%). Em relação a 2012 (R$ 1.122), ano inicial da série histórica, o RN acumula crescimento de 58,56%.
Já a massa de rendimento mensal domiciliar per capita, que é a soma de todos os rendimentos da população, atingiu o maior valor da série no RN: R$ 6,145 bilhões.
As informações são do módulo anual da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua sobre Rendimento de Todas as Fontes, divulgado hoje (08) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O rendimento domiciliar per capita é o total de rendimentos obtidos pelos moradores, como salários, aposentadorias, pensões e outras fontes, divididos pelo número de moradores.
Em média, 66,4% do valor da renda domiciliar per capita no RN advêm do “rendimento habitualmente recebido em todos os trabalhos”. Os 33,6% restantes vêm de “outras fontes”, com destaque para “aposentadoria e pensão” (24,0%) e “programas sociais do governo” (6,3%).
No ranking nacional, o RN teve o terceiro menor percentual de participação do trabalho na renda per capita, atrás apenas do Piauí (63,9%) e de Alagoas (66,2%). Em relação a 2024, houve variação de -1,5 ponto percentual (p.p.) na participação do trabalho na renda per capita do estado e aumento de 2,4 p.p. na participação de aposentadoria e pensão.
RN foi o terceiro estado mais desigual do Brasil em indicador de renda per capita
Os dados do IBGE mostram que 10% da população potiguar com os rendimentos mais elevados recebiam o equivalente a 16,3 vezes o rendimento dos 40% da população com os menores rendimentos.
Em 2025, o RN ficou em terceiro lugar no ranking nacional do indicador, atrás do Distrito Federal (19,7 vezes) e do Rio de Janeiro (16,4 vezes). Esse também foi o maior número calculado na série no estado desde 2021 (21,5 vezes). Em 2024, os 10% mais ricos do RN ganhavam em média 14,4 vezes o rendimento dos 40% mais pobres.
O indicador é obtido por meio da razão do rendimento médio mensal real per capita entre os 10% da população com maiores rendimentos e os 40% da população com os menores rendimentos e revela a desigualdade de renda entre os mais ricos e os mais pobres.
No RN, 40% da população ganhava em média R$ 754, enquanto os 10% mais ricos ganhavam em média R$ 7.897, a preços do ano. Já o 1% da população com maiores rendimentos tinha em média R$ 20.047 de renda domiciliar per capita.
Como consequência, o índice de Gini do rendimento mensal real domiciliar per capita do estado também foi o terceiro maior do país: 0,540. O indicador mede a concentração de renda e varia de 0 (máxima igualdade) a 1 (máxima desigualdade).
RN tem a menor proporção de domicílios do Nordeste com renda de programas sociais
Os dados da PNAD Contínua mostram que 34% dos domicílios do Rio Grande do Norte receberam rendimento de Bolsa Família, de Benefício de Prestação Continuada (BPC-LOAS) ou de outros programas sociais municipais, estaduais e federais no ano passado. Essa foi a menor proporção registrada pela pesquisa entre os estados nordestinos, posição mantida pelo RN desde 2021.
O levantamento aponta que, em 2025, a renda per capita real de quem recebia Bolsa Família no estado era de R$ 637 por mês. Já os beneficiários do BPC-LOAS ganhavam em média R$ 1.048. Em domicílios onde não havia recebimento de programa social, a renda per capita real era de R$ 2.458 por mês.
Trabalhadores potiguares com ensino superior ganham três vezes mais de quem só tem ensino médio
Quando se considera o rendimento médio mensal real das pessoas ocupadas no Rio Grande do Norte, os dados mostram que quem tem ensino superior completo recebia em média R$ 6.613 no ano passado. O valor é cerca de três vezes maior do que a renda de trabalhadores com apenas ensino médio ou nível de instrução equivalente, que recebiam em média R$ 2.127 no período.
Os dados também revelam uma queda no rendimento dos trabalhadores sem instrução, que ganhavam em média R$ 939, 15,63% a menos que em 2024 (R$ 1.113). Os resultados consideram o rendimento habitualmente recebido em todos os trabalhos, a preços médios do último ano.
O levantamento mostra ainda que o rendimento de todas as fontes, da população residente com rendimento, aumentou 8,11% frente a 2024, atingindo R$ 2.731 em 2025, recorde da série histórica. Igualmente, o rendimento habitualmente recebido em todos os trabalhos atingiu seu maior valor real desde 2012 (R$ 3.003), superando a marca dos R$ 3 mil pela primeira vez.
